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  • William Andreotti Jr.

A busca da sabedoria: um pouco por dia, um dia por vez


Cada um vive a sua vida como quer ou pode. Muitas vezes as nossas condições nos obrigam a viver de determinada maneira e os recursos escassos nos limitam. Porém, mesmo nas piores condições existe alguma autonomia para decidir sobre algum aspecto de aprimoramento pessoal.


Tudo pode ser ou estar muito difícil, mas podemos decidir o que fazer naquela hora que gastamos no trânsito, no carro ou no ônibus. Ou o que fazemos quando chegamos exaustos em casa, após um dia tenso.


Podemos ligar a TV e ficar no automático, ver uma série, relaxar. Ou podemos gastar o mesmo tempo vendo um documentário, uma palestra TED, lendo um livro, ouvindo um podcast.


Sempre temos escolha, não é? E a nossa vida é, em grande parte, o resultado de nossas escolhas.


Gosto de aprender com pessoas notáveis. Pessoas comuns, com tantos erros e defeitos como eu, mas que contribuíram com a humanidade através de seus conhecimentos e experiências. A seu tempo e modo acumularam sabedoria e a ofereceram ao mundo. E hoje podemos aprender com seu legado.


Salomão foi um destes homens sábios e ele nos alerta:


O conselho da sabedoria é: procure obter sabedoria; use tudo que você possui para adquirir entendimento. Dedique alta estima à sabedoria, e ela o exaltará; abrace-a, e ela o honrará. (Provérbios 4:7,8)
Apegue-se à instrução, não a abandone; guarde-a bem, pois dela depende a sua vida. (Provérbios 4:13)

A vida pode ter muitos sentidos, significados e desafios. Mas um dos objetivos norteadores de nossa existência deveria ser sair da vida melhor do que entramos.


Não basta deixar de ser bebê e agora adulto conseguir comer sozinho e fazer a sua própria higiene. Isso é muito pouco. Podemos e devemos ser melhores a cada dia, um pouco por dia.


Não basta apenas a educação formal e profissional. Podemos e precisamos ser pessoas melhores, um pouco por vez.


Conheci um escritor que dizia que ficava feliz quando aprendia uma palavra nova por dia. Tenho um amigo com alma de escoteiro que tem por objetivo uma boa ação por dia. A cada dia um pouquinho mais ou um pouquinho melhor.


Cinco páginas lidas por dia são mais de 1.800 páginas por ano, algo entre 6 a 10 bons livros a cada ano. Alguns acham pouco, outros acham muito. Mas a verdade é que custa pouco ler cinco páginas por dia.


Se você ler 8 bons livros por ano e aprender algo com eles certamente estará entre os 3% melhores da população brasileira. E se você tem uma formação superior, ler estes livros talvez lhe coloque entre os melhores 10% da sua profissão.


Não tenho fonte destes dados, estou me baseando intuitivamente nos números de leitores do Brasil. Mesmo adotando essa “liberdade estatística”, acho que se for buscar as estatísticas reais os números serão ainda mais agressivos.




Não estou aqui propondo ou defendendo políticas públicas, deixo isso para intelectuais e políticos. Falo diretamente com você, leitor e leitora. Quem me acompanha por aqui tem o hábito de ler e pode achar estes conselhos banais. Se for este o caso, me perdoem por uma mensagem talvez pouco apropriada, porém peço que encaminhem esse texto a quem precisa agir assim.


A leitura é uma das melhores formas de aprender, mas está longe de ser a única. Já falei sobre as palestras TED e documentários. Essas e outras formas são oportunas e interessantes, assim como podcasts, audiobooks, aulas presenciais ou à distância, vídeos na internet. Existe muito conhecimento disponível e acessível, basta vontade para buscá-lo. Tem muita coisa gratuita, portanto custo não é desculpa.


Se dá para superar ausência de tempo e de recursos, por que tantas pessoas resistem a aprender mais? Só pode ser falta de vontade ou de esperança associada à aquisição do conhecimento.


Para que saber mais? Mais conhecimento pode nos transformar em profissionais melhores e isso nos levar a cargos mais altos, empregos melhores e melhor remuneração. Mas acho que o melhor resultado é nos tornar pessoas melhores, não apenas pelo lado profissional.


Aprender não se restringe a estudar. Cada interação com outra pessoa pode ser uma oportunidade de conhecer mais sobre ela, sua vida e experiências. Conhecer melhor uma pessoa nos ajuda a entender mais sobre as pessoas em geral. Cada um de nós é único mas também parte do todo, aprender sobre cada um é uma chance de entender mais sobre a humanidade.




Sou fã de livros e com eles aprendo mais do que com outras formas. Alguns preferem vídeos, outros aulas. Cada um tem suas características e preferências, de acordo com as múltiplas inteligências descritas por Howard Gardner. Se consegui despertar a sua curiosidade aproveite a chance e pesquise esse cientista e suas obras, vale a pena.


Aprender é um exercício, mas também é uma disposição.


Qualquer coisa pode nos levar a novos aprendizados e sobretudo a novos entendimentos. Mesmo que sejam coisas rotineiras ou tradicionais em nossas vidas.


Existem muitos esforços necessários para a busca do autoconhecimento, que são fundamentais para vivermos aquilo que somos e encontrar o nosso legitimo espaço na humanidade. Minha amiga @Lana Bella escreve sobre isso e pode mostrar os caminhos que percorreu e toda a maturidade sobre o entendimento da vida que alcançou com seus esforços.


Recentemente fui inspirado pelas obras de Eric Voegelin, que conheci através de um artigo de Martim Vasques da Cunha (“Eric Voegelin e a coragem da Filosofia”). Compreendi o conceito de “homem maduro”, a pessoa que desenvolveu ao máximo as suas potencialidades e com isso aprendeu que governar os outros é antes de mais nada governar a si mesmo, especialmente no domínio das paixões e dos sentimentos.


Uma pessoa que conhece a profundidade da sua alma e da dos seus semelhantes porque desceu ao inferno do conhecimento próprio e de lá voltou. Conhecer a si mesmo é a condição para conhecer verdadeiramente aos demais.


Em um dos meus últimos textos falei sobre descobertas, descobrir coisas novas ou novos entendimentos sobre coisas velhas. Observar e ousar novos entendimentos. Isso é aprendizado, essa é uma disposição diferente para a vida.


Observar é componente essencial do aprendizado, mas raciocinar a respeito é o que traz o verdadeiro entendimento. Winston Churchill tem uma frase incrível sobre isso:


“Todo profeta deve provir da civilização, mas todo profeta tem de ir para o deserto. Deve ter uma impressão profunda de uma sociedade complexa e de tudo o que ela tem para dar, e depois atravessar períodos de isolamento e meditação. É mediante esse processo que a dinamite psíquica é feita”.

Pensar a respeito do observado é o que traz o conhecimento. Não basta aceitar o que se vê como verdade absoluta, é preciso encontrar o sentido no que se busca aprender.


Temos as nossas rotinas e isso não é ruim. Ruim é nos fecharmos ao mundo uma vez presos a essa rotina. Deixarmos de ter um olhar explorador, ouvidos atentos, cérebro aberto.

Cabeça fechada morre. É palco de preconceitos, julgamentos, regras imutáveis, paradigmas insuperáveis. Uma cabeça fechada recusa o novo e o diferente. Fica presa a uma história pobre, volúvel às condições da vida, sem forças para reagir e buscar uma nova realidade. Ou alcançar um novo entendimento sobre esta realidade.


Caro leitor, cara leitora, a vida é sua. Pouco posso ajudá-los a viver melhor. O que posso é compartilhar um pouco daquilo que aprendi me abrindo ao mundo. Durante anos fui aberto a aprender e desde há pouco me abri a expor o que penso, na expectativa que isso faça sentido a alguns cérebros e corações sedentos por aí.


Nem sempre fui assim. Passei fases da minha vida com minha cabeça fechada, irascível ao mundo e às oportunidades. Eu errei “me achando” muito mais do que era. Mas descobri que minha arrogância apenas me diminuía. Não existe honra no orgulho, apenas miséria humana na sua pior forma.


Aprender exige humildade. Ser sábio é saber que a sabedoria verdadeira nunca se alcança e humildemente continuar aprendendo, um pouco por vez, uma palavra por dia, um dia por vez.


“Só sei que nada sei” é um lema da mais alta sabedoria, com toda a simplicidade, inteligência e sagacidade de Sócrates, que Platão reconheceu como o homem mais justo de seu tempo.


Temos uma responsabilidade individual de aprender. Cabe a nós sairmos dessa vida melhor do que entramos e com nosso aprendizado beneficiar a humanidade, por pouco que seja.


A humildade é confiar na realidade e ter a consciência de que pouco ou nada sabemos. Precisamos do alcance do “homem maduro”, conhecer a alma humana, compreender a si e aos outros, enfrentar suas próprias reviravoltas, e com isso alcançar um novo olhar sobre nós, sobre os outros e sobre a humanidade. Ofertar esse novo olhar aos demais irmãos deste planeta é o prêmio maior, após anos de dedicação à uma vida plena.




Esse texto foi inspirado por figuras notáveis da humanidade. Pessoas que ousaram reconhecer sua humildade, aprender e depois oferecer ao mundo seu conhecimento, superando o medo das críticas e julgamentos. Entre muitos citei Salomão, Howard Gardner, Eric Voegelin, Churchill, Aristóteles, Platão.


Quanta riqueza temos a descobrir, quanta honra por sermos parte de uma mesma humanidade e quanta responsabilidade temos para encontrar o nosso próprio papel nesse universo!


Aproveito esse reconhecimento a esse grupo de sábios retornando a Salomão em um dos mais belos versículos da Bíblia:


Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito. Provérbios 4:18

A sabedoria se busca na conquista diária de conhecimentos e entendimentos, aprendendo e compartilhando. A luz da sabedoria tem seu brilho crescente, que ilumina mais aos que a usufruem do que aos que a detém. Talvez nunca a alcancemos verdadeiramente, mas é a busca que traz o sentido.


Aprendamos, pois.








William Andreotti Jr.


Escritor, consultor, mentor e produtor de conteúdos sobre Administração, Negócios, Recursos Humanos e Carreiras. Defensor de uma visão humanizada para o mundo dos negócios e carreiras profissionais baseadas em princípios e valores.



Este texto foi desenvolvido a partir do apoio da Populis em seus esforços para desenvolver e disseminar conhecimentos relevantes da área de Recursos Humanos. A Populis é uma empresa que oferece soluções inteligentes para Folha de Pagamento.


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