• William Andreotti Jr.

A essência do amálgama civilizatório



Estamos atravessando o maior desafio coletivo de nossas vidas. Todas as pessoas em geral, mas em especial líderes e empresários, enfrentam condições jamais imaginadas e mesmo que nós brasileiros estejamos tão acostumados a crises dessa vez o desafio é muito maior.


Crises realmente trazem oportunidades, não para todos e nem com a mesma intensidade. Mas acho que existe uma oportunidade comum hoje: todas as empresas passam por profundas reformulações em sua forma de trabalho e essa talvez seja a grande circunstância a ser observada.


Muitas empresas repensam seus negócios e cada empreendimento terá as suas próprias peculiaridades. Mas existem muitas outras oportunidades agora: a forma como o trabalho é feito, como as interações humanas acontecem, como os processos são desenvolvidos e quais as funções realmente relevantes e essenciais ao negócio.


Hoje estão sendo testadas na prática novas formas de trabalho e interação. Situações que eram consideradas arriscadas ou inoportunas agora fazem parte do dia a dia. O trabalho remoto ressaltou vários desses aspectos nas operações das empresas.


Várias atividades que nossas empresas ainda fazem internamente poderiam estar melhor conduzidas por empresas especializadas em regime de outsourcing.


Muitos sistemas internos que exigem cuidados especiais já poderiam ter sido substituídos por sistemas terceiros, remunerados por assinatura a um fornecedor que assume todas as condições operacionais. Nós apenas usamos e pronto.


Embora as condições de curto prazo sejam difíceis de prever, os bons estrategistas já começam a vislumbrar condições de otimizar o trabalho, racionalizar custos e otimizar investimentos. O trabalho após a pandemia será bastante diferente do que era.


Não é necessário ser um visionário para perceber a real possibilidade de interação online entre as pessoas. Aquela brincadeira de “acabei de participar de uma reunião que poderia ter sido um e-mail” agora se expande pois é evidente que nem mesmo a presença física em uma sala é obrigatória para uma reunião. Aquelas viagens de negócios rotineiras de pegar um avião de manhã em SP para uma reunião no RJ e retornar ao final do dia passarão a ser um gasto inaceitável nos tempos que virão.




Uma nova onda de valorização das pessoas

Talvez o elevado desemprego dos últimos anos e a oferta abundante de profissionais para quase todas as posições tenha feito com que muitas empresas tenham passado por uma fase de menor valorização das pessoas. As “boas práticas de RH” estavam mais nas cartilhas e nos slogans do que na prática diária.


Acredito que nesses novos tempos o valor das pessoas será ainda mais considerado. Talvez deixe de ser apenas um fator interno das empresas para atrair os melhores profissionais para as suas posições. É provável que passe a ser uma exigência dos consumidores assim como cobram posturas ambientais das empresas nestes tempos.


O exemplo da influenciadora digital que fez uma festa em tempos de isolamento social e perdeu todos os seus patrocinadores da noite para o dia é característico dessa nova postura dos consumidores. A perda de seguidores foi determinante para que as empresas percebessem o potencial dano às suas marcas.


O valor das pessoas equivale ao valor da vida e nem sempre percebíamos isso na correria dos dias passados.


É um tanto simbólico, tratar bem uma pessoa é tratar bem a todas. Honrar nossos funcionários é mais do que respeitá-los, é um exemplo de dignidade empresarial.


Se antes valorizávamos marcas e apoiávamos empresas que cuidavam do meio ambiente nos próximos tempos isso se ampliará para empresas e marcas que cuidam bem das pessoas em geral, funcionários ou não.


A pandemia despertou um senso de solidariedade que se perpetuará e lançará sementes. Surgiu um forte reconhecimento aos profissionais de saúde mas também a todos os profissionais que sustentam o mundo durante o isolamento: motoboys, carteiros, caixas e estoquistas de supermercados, lixeiros, caminhoneiros e tantos outros profissionais essenciais à sociedade e tão pouco vistos, quanto mais reconhecidos em sua importância fundamental. Essa solidariedade e reconhecimento lançarão sementes poderosas que germinarão em uma nova visão do consumidor às empresas e instituições que os empregam.


Cada dia fica mais claro que podemos seguir “a cartilha tradicional de negócios” e ainda assim agir errado com as pessoas. Vemos muitas empresas demitindo na crise para preservar o Caixa, mesmo antes de tentar qualquer acordo que concilie interesses e possibilidades.


Cada demissão hoje traz um arranhão na marca e esse arranhão será uma cicatriz visível por tempos.

Não sou um futurista, apenas apresento algumas deduções a partir do que tenho observado. Posso errar nas minhas conclusões mas certamente o porvir reservará cada vez menos espaço para empreendimentos oportunistas focados no curto prazo. Empresas e empresários com esse foco poderão até obter algum sucesso imediato, mas o oportunismo terá tanta solidez quanto as pirâmides financeiras que vemos nas reportagens policiais.




Todo empresário ou líder tem uma missão maior do que as suas funções diretas. É responsável por guiar pessoas nos dias bons e nos dias tempestuosos, na luz do sol ou na neblina da noite. E isso é muito mais do que definir metas e ajudar a alcançar resultados.


O líder é responsável por sua empresa ou área, mas sobretudo pelas pessoas que nele depositam a sua confiança e se aliam a seus esforços dentro de suas equipes. A liderança é sempre uma relação de mão dupla. O líder cuida dos seus e estes respondem com sua lealdade e esforço.


Conciliar medidas consistentes para o negócio com o respeito à vida, às pessoas e ao seu trabalho trarão a sua perenidade. Pensar apenas nos números será a receita para vê-los declinando.


Todos temos um compromisso com a sociedade e assim com toda a humanidade. Nosso compromisso maior é uns com os outros, a pandemia nos mostra como a vida pode ser vulnerável.


Sermos responsáveis uns pelos outros é a noção de comunidade, que se perde quando nos dividimos em torcidas ou ideologias distintas. Somos mais do que partidos políticos e times de futebol.


Em momentos distintos todos somos líderes, liderados, consumidores, vendedores, aprendizes, mestres, amados, amantes. Nós precisamos uns dos outros o tempo todo e esse é um dos encantos da humanidade.


Mas o que traz beleza também pode ser fonte de amargura. O egoísmo, o negacionismo, a cobiça e outros comportamentos levianos revelam o que há de pior em nós, mesmo que nossa essência individual e coletiva seja tão bela.


Podemos ser magnânimos em um momento e já no seguinte sermos mesquinhos. Nossa natureza é bela e falha ao mesmo tempo. Por isso a importância do caráter como amalgama civilizatório.


Todos erramos e acertamos e somos feitos assim, forças e fraquezas que não se anulam, mas que se compõem e assim vão criando a vida e conduzindo nossos passos. Só a nossa consciência pode favorecer um lado e outro, estimulando nossos passos acertados no caminho certo da vida.


Temos uma grande oportunidade de repensarmos nossos negócios e suas atividades. Precisamos buscar o melhor para nossas empresas e para as nossas pessoas e para isso é necessário que bons princípios e preciosos valores nos guiem.


William Andreotti Jr.

Escritor, consultor, mentor e produtor de conteúdos sobre Administração, Negócios, Recursos Humanos e Carreiras. Defensor de uma visão humanizada para o mundo dos negócios e carreiras profissionais baseadas em princípios e valores.


Este texto foi desenvolvido a partir do apoio da Populis em seus esforços para desenvolver e disseminar conhecimentos relevantes da área de Recursos Humanos. A Populis é uma empresa que oferece soluções inteligentes para Folha de Pagamento.

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