• William Andreotti Jr.

A liberdade de um líder



Muitos profissionais anseiam por uma posição de liderança acreditando que assim poderão “fazer as coisas à sua maneira”.


De certa forma é verdade. Em grande parte não é.


Liderança não tem a ver com liberdade, mas com responsabilidade. Liderar não é fazer as coisas como se quer, mas do jeito que elas devem ser. É a capacidade de conciliar muitas obrigações e exigências gerando resultados que faz um bom líder.


Apresento a situação a partir de um exemplo simples: um empresário de uma pequena loja, que tenha apenas um funcionário. É o dono da empresa, seu líder maior, entretanto:


  • deve respeitar todos os aspectos da legislação sobre o negócio;

  • deve honrar acordos com fornecedores, muitas vezes com condições com as quais não concorda muito, mas aceita para ter os produtos que precisa;

  • deve cumprir toda a legislação trabalhista e cuidar para que seu funcionário esteja adaptado, treinado e estimulado ao trabalho;

  • deve respeitar aos clientes e suas exigências nem sempre muito coerentes;

  • deve aceitar as condições de mercado e concorrência;

  • deverá ainda respeitar o dono do imóvel em que está a loja, o gerente do banco, as exigências dos órgãos públicos, advogados e contadores.


No espaço “que sobra” ele terá o “poder” de liderar o seu empreendimento e a sua equipe.


Esse empresário é o líder maior de seu negócio. E a sua liberdade de ação é mínima.


Peço ao leitor e à leitora que pensem em outro exemplo: transfiram agora esse mesmo indivíduo para uma área qualquer de uma grande empresa. Pode ser qualquer uma dessas grandes empresas que tanto chamam a atenção de profissionais que anseiam por serem seus funcionários.


Somem todos os aspectos que citei acima, adaptando uns e outros a uma realidade com inúmeros níveis de liderança acima desse profissional, além de outras áreas dependentes da sua e inúmeros procedimentos e regulamentos a cumprir.


Reflitam ainda na responsabilidade desse líder sobre a sua equipe – falei mais sobre isso nos textos “Construir e manter equipes, o verdadeiro papel do líder” e “O líder depende da equipe que monta”. Pensem em quanto tempo ele terá que se dedicar a selecionar, formar, orientar e alinhar as pessoas dentro das regras da organização e suas limitações, nem sempre adaptadas à todas as realidades de equipes distintas.


Imaginem por um minuto todas as exigências e compromissos desse líder de área com todas as demais áreas da empresa e outros stakeholders - usando o conceito de Robert Freeman para Planejamento Estratégico, significando os grupos que podem afetar ou ser afetados pelos objetivos da organização.


Liberdade? Não é essa a característica do trabalho da liderança. É claro que existe uma margem de atuação, que pode ser maior ou menor a depender da empresa e situação, mas muito mais restrita do que se pensa normalmente em relação a posição de um líder.


E isso não melhora. Quando maior a ascensão e mais elevado o cargo mais restrito vai ficando o espaço desse líder, não o contrário. O que realmente aumenta com a ascensão de um líder é a complexidade dos problemas que ele terá que resolver e dos relacionamentos e regras que terá que respeitar. É a responsabilidade que cresce na proporção do cargo, não a liberdade.




Essa ilusão de liberdade talvez seja o primeiro baque que um líder novato sofre. Mas ainda virão outros até que perceba que a arte de liderar é ser um malabarista de várias frentes, mantendo toda a operação acontecendo em meio à regras, procedimentos, exigências, obrigações e insatisfações. E só assim organizar as forças favoráveis em uma mesma direção e repelir ou redirecionar as forças contrárias.


O líder é um nó de uma rede para onde todos esses aspectos convergem. Deverá equilibrá-los e direcioná-los de forma que o trabalho aconteça nas melhores condições possíveis e gerando os resultados exigidos por metas normalmente agressivas e crescentes.


A liberdade de um líder é bastante reduzida, mesmo que tenha o poder de tomar decisões importantes. Os parâmetros nessas decisões, inclusive, normalmente são restritos. As variações entre uma decisão ou outra costumam ser pequenas e muitas vezes as opções são pelas decisões “menos piores”. As decisões cruciais, daquelas que realmente mudam o rumo das coisas, são raras. Os resultados são construídos pela continuidade e assertividade de pequenas decisões diárias, muitas vezes dentro de zonas cinzentas onde os rumos e impactos não são óbvios e imediatos.


Mesmo assim muitos lideres costumam sonhar com as posições acima da sua com a ilusão de maior poder e liberdade. O que costumam encontrar, quando conseguem, é maior responsabilidade, complexidades e pressão por resultados.


Se você quer ser líder, seja pelos motivos certos. Você poderá realizar bastante coisa se estiver disposto a aprender e a trabalhar com dedicação. E será possível liderar com alguma originalidade e autoria, tomando decisões importantes e alcançando resultados significativos. Porém, compreenda desde o inicio que a liderança é uma função onde a responsabilidade impera, não a liberdade de atuação. Não se trata de fazer do seu jeito, mas do jeito certo.


William Andreotti Jr.

Escritor, consultor, mentor e produtor de conteúdos sobre Administração, Negócios, Recursos Humanos e Carreiras. Defensor de uma visão humanizada para o mundo dos negócios e carreiras profissionais baseadas em princípios e valores.

Este texto foi desenvolvido a partir do apoio da Populis em seus esforços para desenvolver e disseminar conhecimentos relevantes da área de Recursos Humanos. A Populis é uma empresa que oferece soluções inteligentes para Folha de Pagamento.

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