• William Andreotti Jr.

As dez virtudes do grande líder – parte 2



Conclui a primeira parte desse artigo falando sobre a humildade intelectual e a disciplina necessárias à aprimorar as qualidades de um líder.


A boa liderança se aprende e esse conhecimento pode vir de muitas formas. Bons artigos e livros podem trazer insights poderosos, seminários e cursos podem tratar com propriedade aspectos relevantes dessa missão. Outra forma essencial de aprendizado é a convivência com grandes líderes, como colaborador ou mentoreado.


A mentoria é um mecanismo poderoso de aprendizagem. Tive a felicidade de ter sido mentoreado por pessoas excepcionais ao longo da minha carreira, mesmo muito antes do termo “mentoria” ser utilizado como agora.


Podemos aprender muito com outra pessoa. Tive um mentor que me ensinou muito com suas virtudes e tanto quanto com o reconhecimento de seus erros e fraquezas ao longo de sua trajetória. Seu mea culpa mostrava os problemas decorrentes, suas causas e consequências.


Não existe aprendizado maior do que aprender com as experiências práticas de quem já enfrentou desafios reais. E uma curiosidade: os fracassos costumam trazer mais aprendizados que os sucessos – sugiro ao leitor e à leitora que pensem sobre isso em sua própria carreira.


Mas aprender exige disposição e uma postura humilde frente ao que não se conhece plenamente. Essa é uma das virtudes descritas a seguir.


Liderança não é uma função definida por um conjunto de procedimentos padronizados, testados e validados. Liderar exige saber como lidar com a natureza humana em todas as suas variações, no que ela tem de beleza e de horror, dia a dia rumo a objetivos comuns.


Segue a parte final da lista de virtudes de um grande líder:



6. O grande líder busca o que é justo


As pessoas esperam pela justiça do líder. São muitas as situações que exigem a postura de um juiz, arbitrando questões e definindo reprimendas. Mas a justiça também se faz através de reconhecimentos a esforços, iniciativas e resultados.


Integridade com seus princípios e valores e coerência em suas atitudes são virtudes necessárias e serão monitoradas todo o tempo pela equipe. Qualquer desvio de conduta do líder ao enfrentar conflitos ou situações críticas afetará a confiança e provocará uma sensação de injustiça.


Não interessa quanto poder tenha um líder. Se ele for injusto nunca será seguido, talvez apenas temido. E isso fará muita diferença.


7. Assume quando não sabe e se esforça para aprender


Um grande líder precisa ter vasto conhecimento sobre seu espaço de atuação. Sua visão não é baseada em ilusões, é a construção de uma realidade possível a partir de conhecimentos aprofundados das condições e necessidades.


Mas é impossível saber tudo. O grande líder terá a humildade intelectual de reconhecer as suas próprias deficiências de conhecimento. Estudará as questões específicas de seus desafios, mas também os exemplos de outros lideres, seus acertos e erros. Aprenderá sobre a natureza humana e conhecerá seus liderados a fundo. Assimilará técnicas, desenvolverá habilidades e dominará suas fraquezas.


Não existe um único esforço ou curso que traga formação tão vasta. Serão anos de esforço contínuo nos livros e nas instituições, incluindo muita troca de experiências entre pares e ações de mentoria.


Além de buscar seu constante aprimoramento profissional, esse líder buscará pessoas mais capazes do que ele nos assuntos que não domina. Não terá a vaidade de querer saber mais ou melhor do que os seus liderados, pois compreende os resultados da união de esforços e saberes.


Promoverá debates de ideias, submeterá suas convicções ao crivo dos colaboradores em quem confia e saberá alterá-las quando for convencido por lógicas e conhecimentos diferentes dos seus. O grande líder tem outra qualidade muito especial: ele sabe ouvir.


O conceito holístico de que o resultado pode ser maior do que a soma das partes se aplica a si mesmo. Ele sabe que não sabe tudo e nunca saberá. Será melhor líder se liderar os melhores e se tornará um líder melhor melhorando seus liderados.





8. Está sempre preparado para contingências


Não se trata apenas de ter um “plano B”. O grande líder pensa continuamente nas alternativas a serem empreendidas se os caminhos percorridos não levarem aos resultados esperados e essas alternativas mudam conforme o progresso dos trabalhos. A forma de alcançar a “visão” se ajusta e atualiza a cada passo.


Não existem planos perfeitos e todo empreendimento apresentará fatores imprevisíveis. É necessária uma capacidade de adaptação contínua às condições reais.


Isso só é possível com uma sensibilidade aguçada sobre os esforços e resultados além de um conhecimento profundo dos recursos envolvidos, principalmente sobre as pessoas alocadas nas atividades e outras disponíveis a contribuir.


O grande líder percebe a necessidade de intervenção e o tempo certo para fazê-lo. O timing é fundamental para a correção de rota ou realocação de esforços. A persistência em um caminho que se mostra equivocado revela teimosia e miopia, alguém que valoriza mais o plano do que o caminho verdadeiro para alcançar os objetivos.



9. O grande líder reconhece os esforços, é grato e generoso


Reconhecer esforços além dos próprios resultados é sobretudo um ato de justiça. O bom líder não utiliza a expressão “não fez mais do que a obrigação”. Ele sabe o que cada um deve fazer e como, portanto reconhece quando algo além do esperado acontece, seja uma inovação ou um grande esforço adicional na solução de um problema grave.


O grande líder conhece os seus e reconhece seus atos especiais. Reconhece a dedicação e a retribui. Enaltece as conquistas ao longo do caminho, agradece aos que estão consigo, apresenta publicamente os feitos e seus responsáveis e logo que possível os recompensará da forma adequada.


Reconhecimento tem a ver com dinheiro, remuneração ou bônus, mas vai muito muito além disso. Já vivi momentos muito mais felizes recebendo sinceros elogios públicos (mesmo que envergonhado às vezes) do que dinheiro na conta do banco.



10. Não se deixa levar pela vaidade


A vaidade é o sentimento de grande valorização de alguém consigo próprio. É um dos componentes do orgulho, o pior de todos os pecados.


Um grande líder tem a sua carreira construída na superação de desafios que vão ficando mais e mais complexos. A cada vitória seu ego é massageado por si e pelos outros. O sucesso inebria e ilude, tanto que os romanos no tempo de seu grande império tinham seus rituais para isso, “memento mori” ou “lembra-te que és mortal”, um recado ao pé do ouvido para aqueles que triunfavam.


O grande líder percebe que superar um grande desafio apenas o levará ao próximo. E que embora ele possa aparecer mais do que os demais, não foi unicamente o seu esforço individual que o levou ao sucesso.


Pouquíssimas conquistas são feitos individuais. Sempre existirão apoiadores, auxiliares, especialistas, parceiros, fornecedores, orientadores e muitos envolvidos em cada realização. Se a orquestra sem um maestro pode se perder em ruídos e descompassos, um maestro sem uma orquestra não produzirá som algum.





Chega ao fim mais essa lista. Podem existir outras qualidades e virtudes desejáveis em um grande líder, mas essa é a lista que construí com base na minha própria experiência junto a lideres incríveis e em muitas ações de liderança experimentadas ou aprendidas ao longo da minha jornada. Cada leitor ou leitora terá a sua própria lista, claro, e espero que meu texto os inspire a pensar a respeito.


Existem grandes, bons, maus e péssimos lideres. E existem lideres que podem ser bons e maus, péssimos e grandes, a depender do momento e da manifestação de sua liderança.


Acredito que a boa liderança se aprende, mas não acredito que todos possam ser bons lideres. E é ótimo que seja assim, pois o mundo precisa de profissionais de todos os tipos e especialidades. A liderança é uma função como qualquer outra. Não deveria ser uma simples etapa de ascensão de carreira, como é em muitas organizações, mas esse assunto exige outro artigo.


Nos próximos textos quero estimular a reflexão sobre os motivos que levam uma pessoa a querer uma posição de liderança e como exercer essa função com maestria. Até lá.




William Andreotti Jr.


Escritor, consultor, mentor e produtor de conteúdos sobre Administração, Negócios, Recursos Humanos e Carreiras. Defensor de uma visão humanizada para o mundo dos negócios e carreiras profissionais baseadas em princípios e valores.


Este texto foi desenvolvido a partir do apoio da Populis em seus esforços para desenvolver e disseminar conhecimentos relevantes da área de Recursos Humanos. A Populis é uma empresa que oferece soluções inteligentes para Folha de Pagamento.


Para acessar todos os conteúdos desse projeto siga o perfil da empresa no Linkedin e cadastre-se em www.populisrh.com.


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