• William Andreotti Jr.

Como fazer uma empresa dar certo (!?)



Na minha adolescência li a biografia do Lee Iacocca, o criador do Mustang um automóvel que até hoje é uma de minhas paixões. Mas o que mais me fascinou foi a trajetória dele como executivo salvando empresas em crise.


Naquele momento percebi que a atividade empresarial me atraia. Não apenas como uma carreira, mas como uma grande aventura, plena de desafios, obstáculos e superações.


Fui um leitor voraz dos romances de aventura, onde abundavam os conflitos entre as pessoas ou destas contra o sistema ou ainda contra as adversidades da natureza. Conduzir uma empresa me parecia então uma aventura dos tempos modernos. Uma visão romântica, mas um tanto verdadeira.


Acabei direcionando a minha carreira para Administração e logo no começo trabalhei em uma instituição de apoio a empreendedores e pequenas empresas. Ali pude conhecer e estudar a realidade de uma empresa no Brasil. Por mais de 25 anos, como consultor nessa instituição e em trabalhos posteriores, acompanhei em detalhes algumas centenas de empresas.


Presenciei muito de perto várias histórias de sucessos e de fracassos. Vi muitas iniciativas dando certo e errado e várias delas que davam certo em uma empresa dando errado em outra.



Entretanto, minha longa experiência tanto no estudo formal sobre administração quanto na prática com empresas NÃO me permitem um posicionamento como um expert em “como fazer uma empresa dar certo”.


O muito que estudei e presenciei no dia a dia apenas me faz pensar como Sócrates: “Só sei que nada sei sobre como fazer uma empresa dar certo”.


Como consultor implantei soluções similares em empresas parecidas com resultados muito distintos. Cedo percebi que não existiam receitas de bolo aplicáveis a qualquer empresa, em qualquer situação. Mesmo que sejam do mesmo ramo e com as mesmas características e especificidades.


Esse nem é um grande mistério. A situação é assim porque as empresas são essencialmente pessoas e as pessoas são diferentes. Pensam diferente, se motivam por aspectos distintos, possuem diversos conjuntos de valores e princípios, tem personalidades e caráter próprios.


Como cada empresa é composta por um conjunto de indivíduos, essa diferença de empresa para empresa é praticamente infinita. Nunca existirão duas iguais. Mesmo unidades franqueadas de uma mesma rede possuem características e identidades próprias.


Sem que exista uma receita única que garanta uma empresa de sucesso, alguns fatores são imprescindíveis para garantir a sua continuidade e competitividade. Hoje cito dois:





Credibilidade:

Quantas vezes vocês viram pessoas ou empresas voltando atrás em compromissos assumidos?


Presenciei muitas situações assim. Algumas vezes existiram argumentos racionais e coerentes para que a decisão de rompimento fosse tomada. Em outras foi apenas falta de comprometimento e puro egoísmo. Decisões tomadas com foco no curto prazo e no custo direto.


A decisão de não cumprir o acordado pode ter algum argumento racional, ser mais rápida ou barata. Mas a questão que me intriga nesses casos é a seguinte: onde fica a dignidade?


Eu sou daqueles de confiar mais em palavras que em contratos, mais em apertos de mão do que em assinaturas de páginas e cláusulas. É claro que já tive problemas assim mas também já me dei mal com acordos formalizados.


Acredito que contratos sejam importantes, assim como bons advogados para redigi-los. Entregas complexas exigem condições claramente expressas e acertadas e sempre é melhor garantir que todos as entendam no momento de celebração formal do acordo.


A minha questão não é contra formalizar um acordo, mas em respeitá-lo independente de qualquer condição ou circunstância.


Honrar acordos vale para empresas e para pessoas. Podem ser acordos simples ou complexos, de pouco valor ou de milhões. Não importa o objeto acordado, mas a dignidade entre as partes para honrar a disposição que os uniu com alguma intenção que fazia sentido naquele momento.


Existem situações em que uma empresa na ânsia pela venda faz promessas que sabe incumpríveis. Vale tudo para assinar o contrato e acreditam que depois “as coisas irão se ajeitar”.


Essa falta de compromisso com o cliente e com a própria palavra empenhada mina a credibilidade da empresa. A “vantagem” de curto prazo se torna um problema de consequências imprevisíveis no longo prazo.


Essa filosofia de “levar vantagem em tudo” pode parecer uma boa forma de fazer negócios, mas na verdade é oportunismo. Sem credibilidade uma empresa não tem futuro.





Capacidade de Adaptação:

Outro aspecto fundamental no sucesso de uma empresa é a sua capacidade de adaptação a novas realidades. O mundo muda e as necessidades dos clientes e consumidores se alteram. Novas diretrizes passam a dominar as relações, influenciadas pela tecnologia, padrões de consumo, mudanças sociais e outros aspectos que até podem estar distantes da realidade daquela empresa, mas possuem potencial de mudar completamente o jeito de se fazer negócios.


O empresário que permanecer agarrado à sua visão inicial de negócios, por mais sucesso que tenha obtido, poderá naufragar. A nova onda chegará com o potencial de impulsionar o barco ou de afundá-lo.


Nem sempre é possível perceber a onda se aproximando ou se ela terá força suficiente ou não. É preciso estar atento aos sinais sutis e ter o faro preparado para perceber ameaças e oportunidades assim que elas começam a se insinuar.


É muito diferente ter um senso de oportunidade ou ser um oportunista. Ambos pretendem tirar proveito das circunstâncias que se apresentam, mas o oportunista é guiado apenas pelo seu próprio interesse, com pouca consideração à princípios ou às possíveis consequências negativas aos outros.


Não adianta ser impulsionado por uma onda e naufragar na próxima. O empreendedor fiel à seus princípios e com bom senso de oportunidade terá a capacidade de se adaptar de forma a que os melhores interesses de sua empresa, de seus colaboradores e clientes prevaleça sempre, mesmo que isso possa significar uma reformulação total de seu negócio.



A única certeza é a mudança


Quanto o mundo muda em dez anos? E em trinta anos? O que esse tempo significa na vida de qualquer empresa? E se for ainda uma empresa de tecnologia?


Trinta anos é um tempo longo na vida de qualquer empreendimento. Os dois aspectos que citei, credibilidade e capacidade de adaptação, são aspectos fundamentais na história da Populis, completando trinta anos agora.


O texto anterior, em que celebramos essa data, narra essa trajetória sensacional e ressalta na prática como esses aspectos foram determinantes para o sucesso.


Tenho certeza de que existiram ainda outros motivos, além do esforço enorme de todos os que colaboraram nesses trinta anos.


A Populis mostrou compromisso com seus princípios e ideais, com a palavra empenhada e com seus clientes e colaboradores. Soube se adaptar à mudança dos tempos e muitas vezes esses aspectos se misturaram, honrando acordos que levaram a empresa por novos caminhos.


Ainda não sei tudo o que é preciso para fazer uma empresa dar certo. Mas desses dois aspectos eu tenho total certeza.







William Andreotti Jr.

Escritor, consultor, mentor e produtor de conteúdos sobre Administração, Negócios, Recursos Humanos e Carreiras. Defensor de uma visão humanizada para o mundo dos negócios e carreiras profissionais baseadas em princípios e valores.

Este texto foi desenvolvido a partir do apoio da Populis em seus esforços para desenvolver e disseminar conhecimentos relevantes da área de Recursos Humanos. A Populis é uma empresa que oferece soluções inteligentes para Folha de Pagamento.

Para acessar todos os conteúdos desse projeto siga o perfil da empresa no Linkedin e cadastre-se em www.populisrh.com.

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