• William Andreotti Jr.

Construir e manter equipes, o verdadeiro papel do líder




Que líder você é?

Ou gostaria de ser?

Por alguns instantes reflita com total sinceridade consigo mesmo. Qual é (ou será) a sua prioridade na liderança? Onde estará a sua maior atenção e dedicação?

Vou abordar de outra forma a questão:

Considere 100% do seu foco e atenção diários. Quantos % você aloca na construção e/ou manutenção da sua equipe e quanto na busca de resultados da sua organização (atividades administrativas, metas, vendas, etc.)?

Qualquer resultado inferior a 75% da sua atenção na construção e manutenção da sua equipe será insuficiente.

O verdadeiro líder constrói os resultados da organização através da sua equipe, e não se posicionando como um membro sênior do próprio grupo. É a única forma de otimizar recursos, escalar resultados e desenvolver verdadeiramente as pessoas.

Uma equipe verdadeira não é um grupo de assistentes do líder. São profissionais com personalidade própria e atuação integrada e alinhada por objetivos comuns.

O líder deve se envolver com a solução de problemas complexos, desde que os utilize como instrumento e meio de capacitação e aprendizagem da equipe. Deve se envolver na busca dos resultados do time como um técnico que orienta, organiza e estimula, não como o atacante que irá bater o pênalti decisivo.

Selecionar, formar, orientar e alinhar as pessoas é a grande e nobre atribuição de um líder.

Todo o resto será consequência destas atribuições-chave colocadas em prática. Uma organização deve pautar seus esforços na busca de resultados consistentes e contínuos, em que não dependa de lances de sorte mas de trabalho sério que leve a resultados confiáveis e previsíveis.

A organização também não pode depender de um profissional “estrela”, daqueles que constrói (ou tenta) os resultados de quase toda a empresa. É muito mais coerente ter um time de bons profissionais do que duas ou três estrelas excepcionais que a qualquer momento vão embora levando sua performance a um concorrente. A consistência se constrói com visão de longo prazo. Estrelas costumam ser individualistas, prejudicando os esforços de equipe.

As grandes empresas encontraram as suas soluções para garantir que os resultados sejam construídos pelos seus times. Seus sistemas complexos de trabalho, monitoramento e elevado rigor acabam por garantir os esforços e a previsibilidade de alcance dos objetivos pretendidos. A liderança nessas organizações tem um papel relevante, porém existe todo um sistema de trabalho que orienta e conduz os esforços no rumo e na intensidade pretendidos.

Sistemas assim apresentam vantagens e desvantagens. Quem já trabalhou ou trabalha em grandes corporações sabe das pressões que recebe e do restrito espaço de ação fora dos scripts pré-definidos de trabalho.

O objetivo desse artigo, porém, é destacar a importância da atuação da liderança em empresas ou equipes onde o papel do líder é preponderante, acima de qualquer sistema ultra-padronizado de trabalho.

Uma equipe não se constrói do nada, apenas reunindo profissionais. O líder precisa ter uma ideia clara de qual é a equipe que busca. Não apenas a quantidade e perfil de profissionais, mas algo além disso. Quais são os princípios e valores que irão permear a equipe? Como o trabalho será desenvolvido? Qual a real importância da colaboração entre as pessoas? A competição interna será algo positivo ou negativo?

Em que base de respeito, educação e intimidade as relações serão construídas? Qual é a ética aceitável, ou os princípios morais envolvidos no trabalho das pessoas e nas relações entre elas e com terceiros? O que será permitido ou não na busca de resultados pessoais e da equipe?

Alguns leitores podem pensar que as empresas já apresentam essas definições. Algumas empresas sim, a maior parte não. Na maior parte das vezes o líder assume uma equipe que lhe é entregue junto a um pacote de metas e um “vire-se”.

Construir uma equipe do zero ou assumir uma equipe existente são desafios de mesma grandiosidade. Talvez esse assunto possa ser explorado em um outro artigo. Entretanto, nem uma coisa nem outra será feita de forma adequada se o líder não tiver uma ideia clara de que equipe quer sob o seu comando.

O tempo dedicado a essa formulação será otimizado quando avançar para as etapas seguintes, seja buscando profissionais novos ou procurando conhecer os existentes. Uma equipe precisa ser composta por engrenagens perfeitas, diferentes entre si, mas que interajam de forma única em busca dos objetivos comuns. A figura do relógio de corda é uma imagem interessante para isso.




É claro que pessoas não são peças mecânicas e nunca as coisas irão funcionar com tamanha precisão quanto um desses relógios com mecanismos sensacionais criados pela inventividade humana. Mas o líder precisa estar ali, em meio às engrenagens, olhando esse relógio por dentro, e não apenas observando os ponteiros pelo lado de fora.

O líder pode precisar de alguns especialistas na sua equipe, pessoas de formações e experiências diferentes. Existem muitos engenheiros, por exemplo, vários deles com experiências similares. Mas um engenheiro com um determinado perfil profissional e comportamental, com princípios e valores alinhados a um determinado modo de ser e demais competências e atitudes como as que citei é difícil de encontrar.

O líder precisa saber exatamente aquilo que busca. Quais são os músicos que irão compor a orquestra e como esses músicos irão interagir entre si. Não basta contratar um grupo de pessoas com excelentes currículos se uns não trabalharem com os outros. E isso não pode ser deixado ao acaso. Não é uma questão de “agora eles estão empregados e vão se virar”.

É total responsabilidade do líder contratar pessoas que vão se encaixar umas às outras e todas juntas se encaixarão a um modelo preconcebido nas dimensões que citei anteriormente. O líder constrói o grupo e as relações entre as pessoas. Constrói, vigia e corrige. O bom líder zela pela sua equipe em todos os níveis.

Da mesma forma com equipes existentes. Cabe ao líder identificar cuidadosamente cada profissional em seus diversos aspectos e procurar as condições de melhor integração de todos. Mesmo que isso signifique trocar pessoas ao longo do caminho em busca de uma equipe de melhor integração e resultados.

Boas equipes podem surgir quase espontaneamente, mas não é muito comum que seja assim. As equipes de verdadeira alta performance são cuidadosamente construídas e geridas, passo a passo, peça por peça.

Volto ao que já falei acima, reforçando a mensagem: A grande atribuição do líder é selecionar, formar, orientar e alinhar as pessoas.




O legitimo resultado do trabalho de um líder é o resultado atingido pela sua equipe. O verdadeiro sucesso de um líder acontece quando os seus liderados alcançam o sucesso. Liderar não é um ato voltado para si, mas para os outros. O verdadeiro líder antes serve, depois comanda.

William Andreotti Jr.

Escritor, consultor, mentor e produtor de conteúdos sobre Administração, Negócios, Recursos Humanos e Carreiras. Defensor de uma visão humanizada para o mundo dos negócios e carreiras profissionais baseadas em princípios e valores.

Este texto foi desenvolvido a partir do apoio da Populis em seus esforços para desenvolver e disseminar conhecimentos relevantes da área de Recursos Humanos. A Populis é uma empresa que oferece soluções inteligentes para Folha de Pagamento.

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