• William Andreotti Jr.

Dignidade e Respeito determinam o comprometimento



Há alguns dias postei no Linkedin uma matéria que li em um jornal aqui de Portugal sobre uma empresa americana, uma startup unicórnio de patinetes. Indignado comentei sobre a falta de humanidade dessa empresa ao demitir 400 funcionários através de um vídeo de dois minutos seguido de um dispositivo remoto que reiniciou o notebook de todos esses funcionários retirando o acesso às contas e canais da empresa.


É tanta indignidade que meu estômago ainda dói ao falar disso. Eu sempre acreditei que uma empresa só faz sentido se fizer sentido à todos que trabalham nela.


Como sempre, noticiais ruins assim se espalham rapidamente e esse post teve um recorde de audiência nas minhas publicações. O que só deixou o gosto ainda mais amargo, porque eu estava disseminando coisas ruins quando havia decidido pessoalmente tratar de temas mais leves e agradáveis nesse período de reclusão.


Pois é, e agora o leitor se pergunta os motivos para que eu fale sobre isso novamente. Quero fazer um contraponto, por isso retornei a esse caso infeliz.


Há alguns dias vi que o Nubank estava enviando cadeiras ergonômicas a seus funcionários. A matéria falava sobre quinhentas cadeiras já enviadas e ainda mais mil a serem entregues nos dias seguintes. Curioso fui ao site da empresa e vi que desenvolveram todo um conjunto de novas diretrizes para manter a cultura da organização em tempos de home office forçado pelo necessário isolamento social.


Ontem soube que a Novo Nordisk, empresa farmacêutica, concedeu mil reais a cada funcionário para adquirir o que fosse necessário para melhorar suas condições de trabalho em home office. Inclusive para estagiários. Minha filha comprou alguns itens para deixar seu local trabalho mais confortável e ergonômico, já que agora passa quase o dia todo ali, seja pelo trabalho ou pelas aulas da faculdade também remotas.


Está feito o contraponto?


O que leva empresas a agirem de forma tão diferente?


Todas essas empresas são capitalistas, visam ao lucro e trabalham em mercados de alta concorrência. Citei uma empresa tradicional, farmacêutica, mas as outras são totalmente comparáveis, unicórnios que receberam milhões de aportes recentes de capital.


É muito comum e até chato ouvirmos das empresas que “as pessoas são o mais importante” nos tempos de vacas gordas, quando tudo vai bem. Quando a economia aquece e os melhores profissionais começam a ser disputados esse discurso então é propagandeado de várias formas, com as empresas procurando oferecer mimos e agrados para atrair e reter bons profissionais.


Mas é na hora da adversidade, em que a vaca começa a ir para o brejo mantendo a analogia bovina, que a verdade aparece.


O problema na verdade não é do capitalismo, nem mesmo das crises. O problema está na falta de humanidade de algumas pessoas, líderes e empresários. Os problemas que causam são ruidosos e ganham a mídia, mas eles são minoria. A grande parte das empresas, empresários e líderes é respeitosa com suas equipes, fornecedores e clientes. Se não por bondade, por respeito e para manter adequadas as condições de negócios.


A empresa que citei inicialmente era “daquelas que contribui para um mundo melhor através de suas ações inovadoras de transporte limpo”. Pregava valores de diversidade em sua equipe, mas a matéria mostrou que “concentrou as demissões em mulheres e pessoas de cor”.


Eu entendo as muitas dificuldades que as empresas estão enfrentando. Tive uma empresa, sofri absurdamente com a crise de 2015/16 e me endividei assustadoramente para pagar todas as pessoas quando tive que encerrar o negócio. Sei como é difícil demitir gente, tive que fazer isso algumas vezes na vida. Mas nada justifica tratar as pessoas sem dignidade e respeito.


Sua empresa pode não ter condições de oferecer as cadeiras ergométricas ou dinheiro adicional a seus funcionários nesse momento. É totalmente compreensível, afinal pagar os salários já será uma enorme dificuldade. Mas tratar as pessoas de forma respeitosa é algo básico, fundamental e obrigatório.





As diretrizes que o Nubank adotou servem para todas as empresas. Entre elas manter os canais de comunicação abertos, ser transparente nas informações e condições, manifestar real preocupação com o bem estar das pessoas e compreender as limitações e eventuais dificuldades das condições de trabalho em casa. Todas essas questões são de extrema importância na gestão de pessoas nesse momento. E não custam nada ou quase nada para que as empresas e seus líderes possam praticá-las.


A Populis é uma empresa de tecnologia e RH e já estava adaptada a jornadas em home office. Mesmo assim tem se desdobrado para manter seus colaboradores seguros e tranquilos para trabalhar. Além disso suas soluções mobile contribuem para que os funcionários de seus clientes tenham acesso à todas as suas informações críticas, diminuindo eventuais incertezas.


Não é fácil ser empresário hoje, nem líder, nem tampouco funcionário. Não está fácil para ninguém, são muitas as incertezas. Mas cabe a cada um de nós a responsabilidade de não agravarmos a situação. Governos e a maior parte das empresas estão se desdobrando para manter empregos e deixar criadas as condições de retomada da economia. Precisamos de união, serenidade e confiança.


Além dos esforços institucionais cada um de nós precisa colaborar, sem propagar o negativismo. Precisamos nos manter colaborativos e cultivar boas relações. Os tempos exigem que sejamos pacificadores nesses momentos de tensão.


Semanas atrás em alguns textos falei de como podemos ser pessoas melhores e como poderíamos colaborar para criarmos um mundo melhor. Não tenho nenhuma capacidade premonitória, mas esses textos são muito válidos para a situação que vivemos hoje.


Mais do que nunca é hora de respeito ao outro. Nós estamos em isolamento social não por nós mesmos, mas por todos os demais. Precisamos entender que tudo é muito maior que cada um de nós, mas é por todos nós que nossa contribuição individual é importante.


Talvez você seja um empresário vendo seu caixa negativo e pensando em como vai pagar os salários desse mês. Talvez você seja um líder que sofre todas as angustias como qualquer um, mas que ainda assim precisa manter a moral do seu time elevada. Nada disso é fácil e nunca nos foi prometido que a vida seria fácil. O sentido verdadeiro na vida não está naquilo que fazemos a nós mesmos, mas naquilo que contribuímos aos outros.


Estamos vivenciando o maior drama de nossas gerações e o que acontece hoje será comentado e estudado por décadas. Nós temos a chance de fazer a diferença nas nossas vidas e nas vidas de outras pessoas. Basta que mantenhamos o respeito e dignidade com todas as pessoas, seja qual for a relação que tenhamos com elas.


De uma forma ou de outra a crise vai passar, todas as crises passam. As empresas que estiverem melhor estruturadas acabarão tendo mais sucesso do que outras. As pessoas reconhecem quando são respeitadas e esse reconhecimento se transforma em comprometimento e dedicação. Equipes motivadas e comprometidas são a base de qualquer empresa de sucesso.

William Andreotti Jr.

Escritor, consultor, mentor e produtor de conteúdos sobre Administração, Negócios, Recursos Humanos e Carreiras. Defensor de uma visão humanizada para o mundo dos negócios e carreiras profissionais baseadas em princípios e valores.

Este texto foi desenvolvido a partir do apoio da Populis em seus esforços para desenvolver e disseminar conhecimentos relevantes da área de Recursos Humanos. A Populis é uma empresa que oferece soluções inteligentes para Folha de Pagamento.

Para acessar todos os conteúdos desse projeto siga o perfil da empresa aqui no Linkedin e cadastre-se em www.populisrh.com.

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