• William Andreotti Jr.

Empresas que evoluem, profissionais que se reinventam!



A evolução é obrigatória a todas as empresas, ainda que cada empresa ou setor tenham o seu próprio ritmo. Essa afirmação é bastante óbvia e a evolução pode parecer natural, mas nem sempre é assim. Não existe evolução sem percalços.


Líderes podem ter boa capacidade de planejamento para identificar previamente ameaças e oportunidades, mas inevitavelmente irão enfrentar limitações de recursos para o investimento necessário à evolução pretendida.


Na maior parte das vezes a evolução acontece apenas quando a empresa é forçada a ela, seja por pressões da concorrência, dos clientes, das fronteiras tecnológicas ou até dos aspectos regulatórios.


Começar antes é sempre melhor. A empresa terá mais tempo para selecionar os caminhos corretos e alocar os recursos de forma efetiva. Mas isso é raro, na maior parte das vezes o que acontece é uma imposição pela mudança, com prazos curtos regidos pela obrigação de urgência.


De uma forma ou outra a evolução acontecerá, imposta ou planejada, com mais erros ou acertos. Ou a empresa evolui ou definha e morre, mesmo que seja uma morte lenta. Não existe outra alternativa.


Existem muitos motivos para o fim de uma empresa. Muitas morrem por ficarem estagnadas sobre os louros do passado. Outras tantas por escolherem caminhos errados para a sua evolução ou por errarem o seu timing e/ou conteúdo.


Não basta apenas mudar, é preciso mudar do jeito certo. A evolução correta é aquela que faz com que a empresa se adapte adequadamente a uma nova realidade, explorando da melhor forma os seus recursos frente às oportunidades (ou contra as ameaças) que se alteram continuamente.


Não é fácil liderar uma empresa com essa responsabilidade. Por isso lideres com essa visão estratégica e sistêmica, capazes de identificar tendências, formular soluções e implementá-las são tão bem remunerados. Eles merecem.




A maior parte das empresas vai ao sabor das ondas, olhando para o curto prazo e para as mudanças mapeadas do mercado, quando já estão claramente caracterizadas e definidas. É o caminho mais fácil e, do ponto de vista do investimento, mais seguro. Os lideres dessas empresas preferem seguir caminhos já trilhados ao invés de explorar novas rotas. Não há nada de errado nisso pois é uma estratégia válida, com menor risco e consequentemente menos resultados.


As empresas que chegam primeiro ao novo patamar evolucionário repartem os melhores resultados. As demais quando chegam dividem o que sobrou. As que nunca chegam a esse patamar começam o processo de inanição. Podem até sobreviver por um tempo, mas será uma longa agonia.


Se isso acontece com as empresas, como ficam os profissionais?


Existem algumas áreas de formação profissional com viés mais generalista, mas a tendência típica de evolução dos profissionais é a especialização.


Esse é o caminho delineado há décadas, tanto pelas empresas quanto pelas instituições de ensino e formação profissional. A especialização tem um viés curioso: torna o profissional cada vez melhor naquilo que faz ao mesmo tempo que restringe o seu conhecimento sobre o entorno.


Com o conhecimento humano crescendo a ritmos avassaladores o melhor especialista em algo é, ao mesmo tempo, o maior ignorante de todo o resto.




Um estudo da Nacional Science Foundation – USA (link ao final desse artigo) mostra em detalhes a evolução na produção de artigos científicos nos principais países do mundo. Entre 2.008 e 2.018 a produção científica cresceu 4% ao ano, saindo de 1,8 milhões de artigos anuais para 2,6 milhões de artigos científicos publicados anualmente.


Esse estudo considera várias áreas da ciência e tecnologia e é evidente ser impossível, mesmo ao maior especialista, acompanhar tudo o que acontece em sua área de conhecimento.


A sociedade precisa de especialistas. Hospitais, universidades e empresas precisam de especialistas e será sempre assim. Vários especialistas multidisciplinares agindo de forma integrada podem resolver problemas complexos e levar a inovações significativas, capazes de promover a evolução das empresas, ligando esse contexto ao inicio desse artigo.


A questão é que o caminho da evolução, também nas empresas, não é uma estrada reta com um objetivo definido. É um percurso cheio de desvios e encruzilhadas. Alguns caminhos levam ao sucesso enquanto outros levam a rotas sem saída.


Como ficam os especialistas que apostam a sua carreira em caminhos que não levam a nada?


Pode parecer uma questão ainda abstrata à maior parte dos profissionais, mas é uma realidade para profissionais de tecnologia. Um especialista em uma determinada tecnologia no ano 2.000 como estará em 2.020?


Vinte anos parece muito tempo? Não para uma carreira profissional, que exige estudo contínuo e trabalho constante. Conheço muitas pessoas na ativa e perfeitamente produtivas aos 75 anos de idade. Um profissional que entra hoje no mercado com 25 anos terá certamente 50 anos produtivos a frente.


Se o caminho de evolução das empresas é incerto e indefinido pelos próximos cinquenta anos, como alguém pode definir por se especializar em algo hoje?


Essa pressão já não se aplica apenas às profissões relacionadas à tecnologia. E o tempo das mudanças hoje é muito mais rápido, acelerando cada vez mais.


Na verdade, um especialista terá que ser um multi-especialista ao longo dos anos, desenvolvendo áreas correlatas à sua especialidade. Mas se o seu campo de trabalho for na atividade empresarial, será sempre uma aposta sobre o que as empresas vão efetivamente precisar ou não, ao longo de suas próprias trajetórias evolutivas.


É muito comum empresas mudarem suas linhas de negócio ao longo do tempo. Em alguns setores isso é mais comum do que em outros e hoje talvez isso aconteça com maior velocidade do que no passado.


Vejam a indústria do software: antes baseada na venda de licenças, hoje vendem serviços onde o software é apenas um ingrediente do pacote. Pode parecer a mesma coisa, mas são negócios profundamente distintos.


Para um programador que vivia desenvolvendo códigos para um software vendido através de licenças que continua desenvolvendo códigos para o software do pacote de serviços pode até parecer que é a mesma coisa. Mas a concepção é outra, o cliente é outro e sua exigência também.


Esse programador só irá evoluir na carreira se perceber a mudança e se adaptar a ela. Eventualmente poderá ser menos especializado em código e mais especialista em entender as reais necessidades de seus clientes. Indo pela gíria, isso é “outro mindset”.


O trabalho de quem começa hoje aos 25 anos não será o mesmo desse profissional aos 75 anos. E não falo apenas pela evolução desse indivíduo, mas porque tudo será radicalmente distinto.


Olhem para 1.970 e vejam as profissões de sucesso de então, seu conteúdo, atribuições e responsabilidades. Pode até parecer que não mudou muita coisa, mas mudou. E a velocidade da mudança daqui até 2.070 será absurdamente maior.




Hoje já vemos muitas pessoas trocando de carreiras ao longo de suas trajetórias profissionais. Passou a ser comum profissionais graduados trilhando novos caminhos, por vontade própria ou por imposição da necessidade.

A dúvida é: seria possível um alinhamento entre os caminhos evolutivos das empresas e as trajetórias transformadas das carreiras de seus profissionais?

A vantagem para ambos seria significativa: contínuo alinhamento de princípios e valores, experiências acumuladas compartilhadas, transições alinhadas em ritmo e conteúdo.


Talvez a principal dificuldade seja a falta de uma visão consistente de longo prazo, que mesmo sem decidir previamente um destino certo indicasse um rumo evolutivo coerente. Talvez não tenhamos uma abundância de lideres com essa capacidade visionária e nem mesmo um ambiente de negócios com a estabilidade mínima necessária.


Existem empresas, e conheço algumas, que migraram seus negócios trazendo junto seus profissionais, em uma relação de evolução simbiótica: uma associação de longo prazo entre pessoas e a organização, benéfica para ambos.


Empresas assim criam relações baseadas em princípios de comunidade, todos unidos enfrentando os desafios e evoluindo conjuntamente. Embora os desafios futuros sejam difíceis de prever, o compromisso mútuo os conduz a frente, venha o que vier.


É difícil prever o futuro, mas não é tão difícil assim formarmos comunidades baseadas em princípios e lealdade. Essa é a minha crença.

Link para estudo da Nacional Science Foundation

https://ncses.nsf.gov/pubs/nsb20206/publication-output-by-region-country-or-economy

Publicado em dezembro de 2019

Autor:

Karen White Senior Science Resources Analyst Science & Engineering Indicators Program National Center for Science and Engineering Statistics kewhite@nsf.gov



William Andreotti Jr.


Escritor, consultor, mentor e produtor de conteúdos sobre Administração, Negócios, Recursos Humanos e Carreiras. Defensor de uma visão humanizada para o mundo dos negócios e carreiras profissionais baseadas em princípios e valores.

Este texto foi desenvolvido a partir do apoio da Populis em seus esforços para desenvolver e disseminar conhecimentos relevantes da área de Recursos Humanos. A Populis é uma empresa que oferece soluções inteligentes para Folha de Pagamento.

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