• William Andreotti Jr.

Harmonia: o que as empresas tem a ver com isso



Temos uma predisposição natural para a harmonia. Sabemos intuitivamente quando algo está bem ou não.


A harmonia está em tudo. A natureza é harmônica em suas composições e proporções. A beleza depende da harmonia, logo percebemos se uma coisa “combina com a outra” ou não. Móveis em uma sala, por exemplo. Podemos até não saber como combinar diferentes peças naturalmente mas percebemos facilmente quando está errado.



Saber conduzir as coisas com harmonia, ou criar harmonia entre as coisas, é tarefa para os que sabem muito.



Na musica a harmonia cria os estados emocionais que atravessamos enquanto a melodia e o ritmo conduzem a canção. Criar harmonias significativas é arte para poucos, mas perceber quando a harmonia não existe é fácil.


Temos essa disposição natural ao equilíbrio ou a uma tranquilidade entre as coisas, de forma que elas não conflitem, que se complementem ou que se concluam. Momentos de tensão e de paz, de som e de silêncio.


Todos os móveis de uma sala juntos contribuem para a beleza da decoração. A estética é resultante da integração de diferentes elementos de forma harmoniosa. Assim como as notas musicais em uma bela canção.


Da mesma forma ansiamos nas relações pessoais. Buscamos harmonia em nós mesmos e com os outros. Quando falta a harmonia na família dificilmente podemos ter a ideia de um lar acolhedor. Se não existe harmonia entre um grupo de pessoas no trabalho dificilmente teremos uma equipe. Se não existe harmonia entre as pessoas de uma comunidade dificilmente será bom viver ali.


Harmonia não é falta de conflitos de ideias, mas respeito à divergências. Não é sobre sermos todos iguais, mas sermos tolerantes às diferenças trabalhando para que estas se completem alcançando a beleza que só é possível no conjunto.


Ao apreciarmos algo belo temos a sensação de equilíbrio, de coerência, de concordância entre aspectos e proporções. Isso vale para a arte e para as relações.


Além de percebermos imediatamente quando falta a harmonia ansiamos ardorosamente por ela. Queremos a vida em equilíbrio e em concordância usufruindo a paz e a beleza de uma vida coerente.


A desarmonia dói. Ataca diretamente as nossas emoções, destrói qualquer possibilidade de bem-estar.



Como harmonia é equilíbrio, um desequilíbrio qualquer exige um movimento de contraparte em busca do retorno à posição equilibrada. Esse contra-movimento algumas vezes pode ser de tal intensidade que piora ainda mais as condições do desequilíbrio. Quem já tentou andar de patins ou fez qualquer exercício de equilíbrio em uma sessão de fisioterapia sabe o que é isso.


Quando algo se desequilibra ficamos buscando novamente a posição de equilíbrio. E podemos cometer enganos nessa busca.


Quando fazemos um esforço que consideramos exagerado podemos querer uma recompensa que justifique o empenho. Buscar uma relação esforço-recompensa que consideramos justa não significa equilibrar as coisas corretamente.


A humanidade vive em desequilíbrio. Uns com tanto, outros com tão pouco. Alguns com muitas oportunidades na vida, outros que raramente as encontram.


Não estou pregando um discurso comunista, não se trata disso, é apenas uma constatação do mundo injusto que vivemos. A sociedade busca reduzir as distorções, as pessoas tentam não pensar muito sobre elas, mas a sensação de falta de harmonia é onipresente. Não pensar na desarmonia não fará com que você não a sinta.


Mesmo a situação atual da pandemia que de certa forma iguala a todas as pessoas na possível vulnerabilidade física frente ao vírus, mantém o desequilíbrio entre as pessoas pela classe social, acesso aos serviços de saúde, possibilidade de trabalho remoto, condições de sustento em situação de crise econômica.


Ansiamos naturalmente pela harmonia, mas vivemos uma vida em que ela raramente se apresenta.


O desequilíbrio que dói é o da falta. A fome que vem da falta de comida. O medo que vem da falta de segurança. O frio que vem da falta de abrigo. A tristeza que vem da falta de compreensão. A angustia que vem da falta de certezas sobre o porvir. A solidão que vem da falta de amor.


O leitor ou a leitora que chegou até aqui, em um texto de caráter profissional, pode estar se perguntando o que tem a ver a profissão ou a empresa com isso?


Explico: acredito que o que falo aqui deva ser alvo de reflexão para líderes e pessoas que lidam com outras pessoas.


Eu acredito na responsabilidade social das empresas. A empresa é uma entidade que organiza recursos para através de um determinado trabalho atingir um objetivo e conseguir resultados. Reúne pessoas e capital, desenvolve o trabalho, vende produtos e serviços, atende necessidades ou desejos do mercado, remunera os envolvidos, paga impostos e alcança lucros.



A responsabilidade social de uma empresa não existe pelo que ela faz. Mas pela oportunidade que tem para fazê-lo.



Para fazer o que faz uma empresa está inserida em um determinado espaço, dentro de uma comunidade, empregando pessoas dessa comunidade e vendendo para outras pessoas dessa comunidade, seguindo um conjunto de regras que garante seus direitos e deveres e usufruindo de todos os aspectos civilizatórios necessários, sistemas de educação, saúde, finanças, condições de infraestrutura e outros aspectos característicos e fundamentais a uma sociedade.


A empresa paga impostos, é verdade. Impostos pagam o direito que elas tem de usufruir de todas essas condições civilizatórias que entretanto não foram elas que criaram e nem os seus impostos pagaram ou pagarão por esse desenvolvimento. Os impostos justificam de forma coerente a operação da empresa mas não pagam pela oportunidade que essa empresa teve de existir nessa sociedade.


Por isso acredito que deva existir uma retribuição à sociedade, pela oportunidade de existência.



Eu tenho uma obrigação moral com o mundo. Devo procurar ser uma fonte de harmonia, em tudo o que fizer, mesmo que minha possibilidade de ação seja pouca e restrita. É o que me cabe pela oportunidade de estar vivo.


O mesmo se aplica a empresas. Sua retribuição deve ser uma forma de buscar o equilíbrio e a harmonia em um mundo desequilibrado e desarmônico. Muitas empresas fazem isso com ações sociais incríveis. Conheci várias assim e que ainda lidam com seus funcionários de forma tão digna e humana que criaram ações inovadoras a seus colaboradores nesse momento de angustia causada pela pandemia.


As pessoas estão temerosas, receosas pelo futuro, incertas quanto às suas condições de sobrevivência, seja pelo risco da doença ou pelo medo de faltar o emprego e o sustento.

Tempos assim exigem líderes de visão. Eles não precisam ter todas as respostas e soluções, mas são obrigados a manter acesa a chama da esperança e da unidade frente ao mal maior.

Um dos maiores exemplos de nossa história recente é Winston Churchill. Ele não sabia como superar a máquina nazista, não tinha todas as respostas, mas a sua determinação e a capacidade de inspirar forças e esperanças no povo inglês conduziram as pessoas naquele tempo de trevas até que a vitória fosse alcançada.


Nesse tempo em que a política abdica de trazer a esperança as empresas precisam cuidar dos seus. Essa é a maior obrigação social de uma empresa hoje. Não falo apenas em ações de caridade que sempre serão necessárias e oportunas, mas falo de inspirar esperança, de proporcionar alguma segurança emocional, de pacificar ânimos exaltados e serenar os espíritos. Falo de mostrar às pessoas que elas importam e que todos se importam uns com os outros.


O momento exige ainda mais compreensão, tolerância, respeito e equilíbrio.


Defendo, enfim, que as empresas sejam ativas em um movimento de busca de harmonia em tempos tão desarmoniosos.


Esse texto foi inspirado por tudo o que atravessamos e pela canção “The circle of life”, dos incríveis Elton John e Tim Rice, para o filme “O Rei Leão

Desde o dia que chegamos ao planeta

E abrimos nossos olhos para o sol

Há mais a ser visto além do que já vimos

E mais a fazer do que já foi feito

Alguns dizem "devore ou seja devorado"

Outros dizem "viva e deixe viver"

Mas todos concordam juntos

Você nunca deve tirar mais do que dá

No ciclo da vida

É a roda da fortuna

É o salto de fé

É a banda de esperança

Até acharmos nosso lugar

No caminho a desbravar

No ciclo, no ciclo da vida

Alguns de nós caem pela estrada

Enquanto outros alcançam as estrelas

Alguns de nós navegam acima dos problemas

Enquanto outros tem que viver com as cicatrizes

Há muito para se conseguir aqui

Mais para se encontrar do que o que já foi encontrado

Mas o sol se move alto no céu azul safira

E mantêm-se, ora grande, ora pequeno, neste ciclo sem fim

No ciclo da vida

É a roda da fortuna

É o salto de fé

É a banda de esperança

Até acharmos nosso lugar

No caminho a desbravar

No ciclo, no ciclo da vida





William Andreotti Jr.


Escritor, consultor, mentor e produtor de conteúdos sobre Administração, Negócios, Recursos Humanos e Carreiras. Defensor de uma visão humanizada para o mundo dos negócios e carreiras profissionais baseadas em princípios e valores.

Este texto foi desenvolvido a partir do apoio da Populis em seus esforços para desenvolver e disseminar conhecimentos relevantes da área de Recursos Humanos. A Populis é uma empresa que oferece soluções inteligentes para Folha de Pagamento.


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