• William Andreotti Jr.

O líder depende da equipe que monta



Conclui o artigo anterior, “Construir e manter equipes, o verdadeiro papel do líder”, afirmando que o legitimo resultado do trabalho de um líder é o resultado atingido pela sua equipe e que o seu verdadeiro sucesso acontece quando os seus liderados alcançam tal sucesso.


Também nesse texto falei sobre o que considero a principal atribuição de um líder: selecionar, formar, orientar e alinhar as pessoas e com isso construir uma equipe pela qual o líder irá zelar em todos os aspectos.

Todos os resultados do líder serão consequências dessas atribuições e desses cuidados. Não existe líder com bons resultados que não sejam aqueles obtidos pela sua equipe.

Existem várias formas para constituir uma equipe. Abordarei duas estratégias diferentes, ambas válidas mas nem sempre adequadas à todos os modelos de negócio e equipes. Como tudo na vida cada escolha tem as suas próprias vantagens e problemas decorrentes. Conhecê-los de antemão, ou ao menos prevê-los, é obrigação da organização e da liderança.

Um desses formatos prioriza o esforço coletivo como o principal criador de resultados. Profissionais que atuam em conjunto e complementariedade, cooperando entre si e para o resultado global, mesmo que tenham metas individualizadas. Serão pessoas com experiências e desempenhos distintos, porém dentro de uma mesma faixa, sem diferenças muito significativas entre os indivíduos.

O outro formato de equipe é o composto por um ou mais profissionais “estrela”, com experiências e resultados excepcionais, com os demais profissionais atuando basicamente em função destes ou ainda trabalhando nos resultados colaterais ou adjacentes do trabalho dos profissionais estrela.


O esporte é uma excelente fonte de analogias e metáforas para gestão de equipes. Na recente final da Champions League o time vencedor demonstrou um efetivo jogo de equipe contra um adversário que dependeu claramente de duas ou três estrelas que não conseguiram o desempenho que lhes fora comum em jogos anteriores.


Independente das discussões apaixonadas dos torcedores, qualquer um dos times poderia ter ganho o campeonato. A opção por um modelo ou outro não traz garantias absolutas.


Não existe amadorismo ou acaso nesses clubes. A composição das equipes é planejada em detalhes tanto quanto o plano de jogo. Um time pode ser montado para jogar coletivamente ou em função de suas estrelas. É uma escolha, ambas são opções válidas e tem as suas próprias consequências.




O individualismo das estrelas é sempre um problema a ser administrado. A excessiva dependência de seus resultados também. Quando a estrela tem desempenho ruim derruba os resultados gerais. Quando a estrela tem elevado sucesso pode se envaidecer e passar a exigir condições pessoais ainda mais diferenciadas. Não é tarefa fácil a um líder manter um senso de cooperação em situações de egos inflados.


A organização e o líder precisam saber com que tipo de problemas terão que lidar. Em alguns ramos de negócios ter uma estrela pode fazer uma diferença tão significativa que os riscos e problemas consequentes sejam aceitáveis. São situações em que a presença da estrela traz oportunidades adicionais ao negócio. Um time de futebol e o potencial de marketing de um astro é um exemplo fácil. Uma agência de propaganda com um criativo premiado também. Existem alguns exemplos onde o desempenho desse profissional e o valor adicional que ele agrega justifica ter uma equipe ao seu redor para sustentá-lo.


Mas esse não é o caso para a maior parte das empresas e equipes. Em grande parte das funções empresariais essa “estrela” será apenas um profissional de excelentes resultados, sem potencial adicional de agregação de valor ao negócio, ainda que tenha um excelente currículo e imagem profissional. Mesmo sem trazer benefícios adicionais ainda assim serão prováveis os problemas de excessiva dependência da empresa com esse profissional, além das possíveis crises decorrentes de egos inflados.


A relação entre ganhos e perdas das alternativas de composição de uma equipe precisa ser ponderada cuidadosamente. É enorme a importância estratégica dessa definição e poucas vezes vi alguma empresa que fizesse essa análise previamente e decidisse entre essas opções de forma consciente de suas vantagens e desvantagens.


Todo líder precisa entender o modelo de negócios onde a sua equipe está inserida, seja em qual área da organização for. Precisa analisar a sua realidade na empresa e relação com outras equipes, clientes, parceiros, fornecedores. Necessita entender como o resultado se constrói, como o trabalho se desenvolve, quais as vulnerabilidades, quais as forças, quais os resultados atuais e quais as possibilidades de melhorá-los.


Seria ótimo se tudo pudesse ser feito de antemão, mas não é essa a realidade. Lideres herdam equipes problemáticas e o mais comum é tentar consertar um avião que já está voando. Na maior parte das vezes trata-se de reconstruir uma equipe, não de construir.


Outra situação comum ocorre quando se tem uma equipe com um perfil de trabalho coletivo e a liderança resolve contratar uma estrela. É praticamente certo que ocorrerão problemas.


Nesses casos normalmente foi feito um investimento significativo para trazer o profissional estrela e é muito provável que ótimos funcionários comecem a ficar incomodados com os problemas crescentes. Existe uma grande chance de que saiam da empresa antes que o líder consiga equacionar os problemas - se é que conseguirá. Conheci muitas situações em que a equipe se desfez, a estrela não vingou e tudo teve que ser refeito, agora sem os melhores e experientes profissionais anteriores.


Não se exerce a liderança reagindo a pressões de momento. Uma equipe não é gerida apenas no dia a dia sem uma longa reflexão sobre suas condições e seus participantes. Zelar por uma equipe não é apenas estar presente no dia a dia e cobrar resultados. O líder é responsável por cada profissional e pela relação entre todos eles.




Líderes devem ser enaltecidos quando as suas equipes vão bem e devem ser criticados quando seus times não alcançam os resultados. Não existem justificativas que retirem a responsabilidade do líder pelos resultados dos seus.


Um líder de verdade sabe disso. E busca o sucesso de todos por todos, não apenas porque depende deles.

William Andreotti Jr.

Escritor, consultor, mentor e produtor de conteúdos sobre Administração, Negócios, Recursos Humanos e Carreiras. Defensor de uma visão humanizada para o mundo dos negócios e carreiras profissionais baseadas em princípios e valores.

Este texto foi desenvolvido a partir do apoio da Populis em seus esforços para desenvolver e disseminar conhecimentos relevantes da área de Recursos Humanos. A Populis é uma empresa que oferece soluções inteligentes para Folha de Pagamento.

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