• William Andreotti Jr.

O maior desafio de um líder



Um líder em ascensão logo enfrentará seu maior desafio: liderar outros líderes.

No artigo “Construir e manter equipes, o verdadeiro papel do líder” afirmei que a principal atribuição de um líder é selecionar, formar, orientar e alinhar as pessoas. Também afirmei nesse texto que o verdadeiro líder constrói resultados através das pessoas de sua equipe.


Essas atribuições e responsabilidades alcançam um grau elevado de complexidade quando o líder passa a comandar outros lideres. Sua liderança deverá atingir equipes inteiras e não apenas a seus subordinados diretos.


Quando um líder de equipe cumpre o seu papel com excelência, sua ascensão profissional o levará a liderar outros líderes. O desafio que se apresenta agora é muito diferente e exigirá novas abordagens e habilidades. Não se trata apenas de uma evolução natural e linear da complexidade da carreira profissional. Liderar líderes é muito diferente de liderar colaboradores diretamente envolvidos na operação.


Grande parte do esforço de liderar uma equipe se traduz em comandar ações operacionais. Organizar e orientar diretamente os esforços através de contatos diretos com as pessoas e muitas vezes com os clientes. São contatos que permitem “sentir a temperatura”, perceber rapidamente os problemas e agir para solucioná-los. Ajudam a perceber erros e deficiências, orientar as pessoas e com isso capacitá-las para que tudo vá se aprimorando. A formação da equipe é um esforço contínuo, facilitado quando o líder tem o contato direto com a realidade do trabalho.


O líder de equipe recebe as estratégias de seus superiores e as traduz em orientações operacionais em busca dos resultados esperados. Conhecer bem a empresa e a operação sob seu comando são condições necessárias a esse esforço. O contato direto com a operação facilita toda a compreensão das estratégias e de sua operacionalização.


A situação muda significativamente quando um líder de equipes é promovido para comandar outros líderes. Perdendo o contato próximo com as pessoas e clientes não conseguirá mais “medir a temperatura” diretamente das condições da operação. Não poderá mais ver os problemas no momento em que acontecem nem orientar a sua solução imediata.


O contato com a operação passará a ocorrer através de um outro líder e de acordo com a sua própria experiência, competências e habilidades. Por mais competente e confiável que seja esse líder de operações sob seu comando este apresentará as situações através de seu filtro pessoal, o que poderá ser problemático em algum momento.


Enquanto isso o trabalho fica mais complexo e a responsabilidade aumenta. No texto “A liberdade de um líder”, mencionei:


“... Quando maior a ascensão e mais elevado o cargo mais restrito vai ficando o espaço desse líder, não o contrário. O que realmente aumenta com a ascensão de um líder é a complexidade dos problemas que ele terá que resolver e dos relacionamentos e regras que terá que respeitar. É a responsabilidade que cresce na proporção do cargo, não a liberdade.”

O líder de líderes sai do operacional e precisa rapidamente compreender seu novo papel e posicionamento. É um esforço bastante difícil pois foi a excelência no trato com o operacional que o levou a ser promovido e agora esse seu principal diferencial parece perder valor. O jogo muda completamente e é como se esse profissional começasse uma nova carreira praticamente do zero.





Como entender essa nova posição de Liderança?

O bom líder inspira com seu exemplo e orienta pelas suas atitudes. Nesse jogo novo inspirar e orientar ainda serão as suas atribuições, mas agora isso será feito de outra forma.


Toda a orientação para a operação e também de como liderá-la deverá ocorrer através dos lideres de equipe, seus atuais liderados diretos. Cada líder terá a sua própria forma de agir e de orientar aos seus subordinados e quanto mais cedo isso for compreendido melhor.


Se o líder de lideres esperar que todos liderem da mesma forma terá um problema. Não acredito em uma forma padronizada de liderança, mas em aspectos fundamentais que podem ser exercidos e combinados de forma pessoal e genuína.


O contato direto e frequente com as pessoas da operação não deverá existir, sob risco de prejudicar a legitimidade do líder de equipe. Entretanto o líder de lideres poderá utilizar de mecanismos de influência para inspirar as pessoas da organização.


O exemplo é um forte instrumento de inspiração e pode ser explorado de diversas formas para influenciar as pessoas que compõem as equipes sob sua liderança. Essa é uma agenda que precisa ser construída, não pode ser deixada ao acaso. Deve ser um esforço continuo, com vistas ao longo prazo e não suscetível às pressões imediatas e diárias.


Liderar lideres exige percepção e perspicácia


Conhecer seus subordinados é obrigatório. Parece um chavão, mas as pessoas são muito diferentes entre si – e é absolutamente incrível a quantidade de pessoas que trata todas as demais exatamente da mesma maneira sem perceber ou se importar com essas características de individualidade.


Conheci excelentes lideres totalmente diferentes entre si, inclusive no estilo e na forma de liderar. Mesmo diferentes, eram valorizados pelas empresas, adorados por seus funcionários e alcançavam resultados excepcionais continuamente.


O líder de lideres precisará ter uma excelente capacidade de percepção. Deve aprender a entender sinais discretos e sutilezas, ser sensível a ponto de identificar problemas potenciais antes que se manifestem.


A perspicácia virá por conhecer os lideres subordinados e saber como eles reagem às situações. Conseguir identificar comportamentos que indiquem problemas. Conhecer não apenas pelo histórico, mas pela forma como agem no dia a dia e reagem às pressões e problemas. Conhecer exige acompanhar, e zelar pelos subordinados sempre será um dos principais papeis de qualquer líder.


A ascensão de carreira pelo caminho da Liderança não é fácil embora seja o mais comum. Esse segundo degrau, liderar outros líderes, talvez seja o menos compreendido e certamente é a maior barreira a impedir ou prejudicar que a evolução da carreira desse profissional atinja novos degraus. O bom líder de líderes terá a sua ascensão à novas posições de liderança cada vez mais complexas, mas o jogo ficará cada vez mais exigente.



William Andreotti Jr.


Escritor, consultor, mentor e produtor de conteúdos sobre Administração, Negócios, Recursos Humanos e Carreiras. Defensor de uma visão humanizada para o mundo dos negócios e carreiras profissionais baseadas em princípios e valores.



Este texto foi desenvolvido a partir do apoio da Populis em seus esforços para desenvolver e disseminar conhecimentos relevantes da área de Recursos Humanos. A Populis é uma empresa que oferece soluções inteligentes para Folha de Pagamento.

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