• William Andreotti Jr.

O que a sua empresa espera dos colaboradores?



Há algum tempo publiquei uma série de artigos que tinham por objetivo orientar profissionais em suas carreiras a partir de um conjunto de expectativas que as empresas depositam sobre seus colaboradores. Expectativas que muitas vezes não são apresentadas claramente, mas que definem as condições de progressão das carreiras.


Essas orientações foram organizadas em cinco conjuntos daquilo que chamei de Dimensões de Expectativas Profissionais, que serão detalhadas a frente.


Nesse texto quero propor aos profissionais de RH e lideres empresariais uma reflexão sobre as suas empresas frente à essas expectativas e à forma como lidam com elas junto aos seus colaboradores.


Há algum tempo era comum empresas terem planos de cargos e salários bastante detalhados e em muitas empresas estes fundamentavam planos de carreira com diretrizes para ascensão profissional. As estruturas organizacionais eram mais hierarquizadas e definidas, o que permitia um entendimento mais fácil sobre os caminhos de ascensão.


Mas a forma de atuação das empresas e o mercado de trabalho tem passado por mudanças significativas, algumas delas que ainda serão bastante acentuadas a partir da nova realidade pós-pandemia.


Em muitas empresas as funções estão cada vez menos estruturadas. Os profissionais passam a ter mais responsabilidades por algo do que uma lista de atividades a cumprir cegamente. Por um lado tem mais liberdade de atuação, por outro mais responsabilidade de entrega e desempenho. Profissionais com o mesmo cargo e função podem ter atuações muito distintas.


As relações entre colaboradores e equipes tendem a ser ainda mais horizontalizadas, com equipes mais diversificadas e multidisciplinares. Envolvimento com múltiplas lideranças em um mesmo projeto. Habilidades de interação e cooperação cada vez mais desafiadas. Trabalho à distância com profissionais de vários locais distintos favorecidos pela tecnologia. Home office cada vez mais intensificado com menor interação pessoal direta. E relações cada vez mais frequentes com terceiros contratados para ações específicas ou pontuais.


É um mundo fluido, não mais cartesiano. Passa a ser impossível estruturar um plano de cargos preciso e detalhado com cada atividade a ser executada cargo a cargo. E, mesmo que fosse possível, talvez estivesse desatualizado de um dia para o outro.


Tenho vários leitores que são jovens profissionais e outros já com vários anos de experiência. Recebo muitas perguntas sobre “o que realmente pode fazer diferença em suas carreiras”. Além da inquietação natural por alguma falta de experiência ou de frustrações por não ver a carreira evoluindo como gostaria, percebo em muitas dessas pessoas um desconhecimento profundo sobre o que suas empresas esperam de suas atuações.


Em ações de mentoria quando questiono se o indivíduo sabe o que sua empresa espera de seu trabalho normalmente me respondem sobre metas e prazos. Quando aprofundo o questionamento sobre outros aspectos normalmente as pessoas não tem certeza sobre as expectativas depositadas sobre ela.


Quero ressaltar um aspecto: saber qual é a meta e o que fazer para alcançá-la não costuma ser o problema, mas como fazer o trabalho de forma a evoluir na carreira continuamente é a grande questão.




Tenho algumas décadas de vida profissional corporativa e liderança de pessoas. Posso afirmar que os resultados importam, mas que a progressão de um profissional depende de muitas outras coisas.


Nos artigos que citei, que estarão indicados ao longo do texto, falo de um conjunto de expectativas que costumam ser comuns a muitas empresas. Pode ser que sejam adequadas à sua empresa ou que apenas parte delas se aplique e falte outras.


O objetivo desse artigo é leva-lo a refletir, como líder ou profissional de RH, se a sua empresa tem uma visão clara sobre quais as expectativas que tem sobre seus profissionais e se as comunica claramente aos colaboradores.

A vida profissional hoje é muito diversificada. O trabalho já não segue mais os mesmos formatos de dez anos atrás por exemplo. Comecei minha carreira nos anos 80 e vi profundas transformações desde então, mas talvez o que aconteceu nos últimos cinco anos tenha sido muito mais profundo e abrangente do que em todos os anos anteriores. E acredito que essas mudanças se acelerarão agora nessa fase pós-pandemia.


É responsabilidade da liderança e do RH saber onde a empresa quer chegar e como, traduzindo isso em expectativas reais, claras e assertivas aos seus colaboradores. Reforço que não falo apenas de metas e resultados, mas de expectativas sobre fatores que sustentam os negócios e principalmente as carreiras e sua evolução.


As Dimensões de Expectativas Profissionais que mostrei nos textos anteriores foram (cada titulo em negrito tem o link para o artigo específico):

Dimensão 1 – Postura profissional e Autodesenvolvimento


Existem exigências obrigatórias na postura de um profissional. Algumas das principais, mas nem sempre consideradas, são:


Respeito e cordialidade (demonstrados em atos e palavras);

Assertividade (poucos erros cometidos);

Superação (fazer acima do previsto e disposição em colaborar);

Honestidade;

Comprometimento;

Integridade.

A consciência sobre a responsabilidade do autodesenvolvimento e a busca efetiva do profissional em se aprimorar.


São expectativas óbvias, mas precisam ser explicitadas. O que é óbvio para alguns não é para outros e essas expectativas também podem ser priorizadas ou ponderadas de diferentes maneiras em diferentes empresas.


Dimensão 2 – Entender o ambiente e a cultura da organização


Aspectos culturais da empresa são determinantes no sucesso de seus profissionais e quase nunca são esclarecidos de maneira intencional e objetiva. É importante mostrar aos funcionários como são as interações entre os diversos esforços da empresa, que posturas são incentivadas e reconhecidas e quais são inapropriadas.


A cultura mostra o “como as coisas são feitas aqui” e toda cultura tem aspectos positivos e negativos. É importante estimular a curiosidade dos colaboradores e ter pessoas orientadas a apresentar a realidade da empresa. Se não existir um esforço formal, a rádio peão vai falar como quiser a respeito.

Dimensão 3 – Relação com Pares e Colegas


A forma como as pessoas interagem e cooperam é crítica pela possibilidade de conflitos. Uma equipe precisa ser mais do que a soma de seus membros e para isso a disposição genuína em colaborar para a contribuição ao todo e uma comunicação frequente, clara e transparente são competências necessárias a serem ressaltadas.


As pessoas tem seus próprios interesses e isso é legitimo, mas o interesse comum deve se sobrepor e isso exige posturas adequadas. As empresas não podem confiar que uma equipe vá interagir bem apenas por si mesma.

Dimensão 4 – Relação com Superiores


Líderes além do poder do cargo tem o papel do exemplo. Toda a relação com o liderado além de ser uma ação de supervisão também é de capacitação. Tanto o líder quanto o liderado precisam ter esse entendimento.


O líder representa a ação política dentro da organização, no sentido de busca de conciliação de interesses em prol do bem comum. A forma como ele atua politicamente e como comunica isso aos seus colaboradores influenciará todo o ambiente e a formação desses profissionais.

Dimensão 5 – Relação de líderes com equipes


A empresa precisa orientar com clareza todas as expectativas que tem com seus lideres junto às suas equipes. A liderança é uma das atribuições normalmente mal especificadas e muitas vezes totalmente delegada ao líder. O desalinhamento de posturas de liderança é um foco de problemas e insatisfações.


Existem muitos estilos e formas de liderança, mas o líder deve representar os princípios, valores e conjuntos de expectativas da empresa sobre os colaboradores. Se esse conjunto de expectativas não estiver claro, cada um fará do jeito que acha.




O que apresento aqui é uma visão inicial sobre o tema. Caso o leitor tenha interesse em aprofundar a leitura sugiro que veja os textos sobre cada tema clicando no título (a dimensão 5 ainda não tem um artigo específico).


A mensagem que quero deixar aqui é que é importante para uma empresa saber exatamente o que espera de cada colaborador. Não apenas metas, resultados e cumprimento de planos. As expectativas vão muito além das coisas mais visíveis, envolvem comportamentos, atitudes e posicionamentos que um profissional precisa ter ou apresentar para que tenha condições reais de sucesso.


Tratar essas expectativas com clareza traz alinhamento entre as pessoas, reduz os desgastes e facilita a compreensão aos profissionais sobre suas reais condições.


Novos tempos estão chegando com relações profissionais ainda mais diversificadas e fluidas. As melhores empresas se fazem com os melhores profissionais e esses desempenham melhor nas melhores condições.

William Andreotti Jr.

Escritor, consultor, mentor e produtor de conteúdos sobre Administração, Negócios, Recursos Humanos e Carreiras. Defensor de uma visão humanizada para o mundo dos negócios e carreiras profissionais baseadas em princípios e valores.

Este texto foi desenvolvido a partir do apoio da Populis em seus esforços para desenvolver e disseminar conhecimentos relevantes da área de Recursos Humanos. A Populis é uma empresa que oferece soluções inteligentes para Folha de Pagamento.

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