• William Andreotti Jr.

O que a sua empresa vai pensar de você?



Final de novembro, pressões para encerrar o ano e cumprir as metas. O Natal logo chega e a beleza das decorações com a loucura no comércio já tomam conta da cidade.


Tempo de correria que será sucedido por uma fase de reflexões. Todos faremos o inevitável balanço sobre o ano que finda e alguns planos para o que virá.


Coisas boas e ruins serão consideradas, avaliadas e ponderadas até chegarmos ao saldo e à conclusão sobre o que foi e sobre como poderia ter sido.


São reflexões obrigatórias, não? Já tentei fugir delas sem sucesso. É como se o calendário do ano comandasse as nossas vidas e ao seu término fosse obrigatória a avaliação do período.


Reconheço que existe um lado bom nesta conclusão temporal. Se o ano foi bom ou ruim, encerrá-lo dá a medida de que nada é para sempre. Avaliar nossos passos reconhecendo nossos erros e acertos é um processo fundamental para o nosso autodesenvolvimento. E um novo ano sempre traz novas esperanças, qualquer que seja a situação em que estejamos vivendo.


Mas as vezes não quero refletir nesse momento, sabe? Faço tantas e tão profundas reflexões várias vezes ao longo do ano que tento me rebelar contra essa imposição do calendário.


Mas não tem jeito por mais que resista em algum momento sei que irei fraquejar. Talvez naquela alta madrugada da virada do ano, quando tudo se acalma e o champagne quebra as defesas.


Sei como será: os pensamentos virão com força total impossíveis de serem contidos. Trarão sorrisos e lágrimas, tristezas e boas lembranças, saudades e certezas, o reconhecimento de vontades não satisfeitas e objetivos não alcançados junto de conquistas pouco satisfatórias e grandes vitórias.


É assim para todos nós, não é? Meus anos vividos me tornaram experiente nesses momentos e no entendimento e na aceitação da vida como ela é, com seus altos e baixos.


Mas isso tudo o que escrevi será para daqui a algumas semanas. Escrevo esse texto no dia 26 de novembro, temos um mês de agitação ainda para que esses momentos de reflexão maior se imponham. Por isso quero propor algo diferente.




Imagine que sua empresa ou profissão seja uma pessoa, que a PJ seja uma PF.


Como seria a reflexão dessa “empresa-pessoa” ou “profissão-pessoa” nesse final de ano?


O que a “empresa-pessoa” teria feito de bom? O que ela teria feito de ruim?


Não se restrinja a metas e aos objetivos quantitativos, não estou aqui para falar de números e participações de mercado. Uma empresa é muito mais que isso e quem não pensa assim não entende a responsabilidade social de uma empresa. O papel na sociedade de uma organização que agrega pessoas em objetivos comuns e enfrenta desafios contínuos, proporcionando o bem aos envolvidos, aos seus clientes e fornecedores. Pelo menos é assim que deveria ser, não é?


Muitos da empresa certamente irão avaliar qualitativamente o que a empresa proporcionou aos seus clientes. Portanto, também não é essa a reflexão que proponho.


Quero que você, colaborador, líder ou empresário pense em como a empresa pensaria.


Reflita sobre como seria a reflexão da empresa, caso ela fosse uma pessoa, frente ao bem que proporcionou ou não aos seus.


A empresa refletindo sobre seu impacto na vida de seus colaboradores, de seus líderes, de seus proprietários, de seus fornecedores e clientes.


O que a empresa pensaria sobre as pessoas que foram embora nesse ano? Sobre as pessoas que chegaram?


Qual a reflexão sobre os que subiram na carreira? E sobre os que estão estacionados?


Seus líderes foram bons líderes? Foram orientados e treinados para enfrentar seus desafios? Ou a empresa simplesmente reconhecerá que entregou essa responsabilidade nas mãos das pessoas que julgou aptas a isso, sem apoiá-las ou capacitá-las?


Como foi a relação com seus fornecedores? Pressionou-os até obter a maior vantagem possível para si, arrancando seu couro em busca do menor custo? Ou teve interesse em compartilhar benefícios e construir relações de longo prazo?


E os sócios? Como a empresa os trata? Reconhece seus esforços e dedicação? Ou simplesmente abre mão de seus recursos para satisfazê-los?


Empresa o que você pensa sobre cada pessoa que faz parte de você?




Caro leitor, prezada leitora, peço que ousem e tentem essa reflexão abstrata. Uma empresa é um organismo vivo. Personifiquem-na agora.


Como esse organismo reage aos seus, aos conflitos, às tempestades, às angústias e às alegrias de todas as “células” e “microrganismos” que a compõem?


Sabemos que a empresa tem uma cultura e um clima organizacional. Questões que ultrapassam os indivíduos, que se formam a partir da coletividade e se impõem a ela. Condições que definem a felicidade ou a infelicidade da organização e isso pode ou não estar relacionado às condições financeiras e de mercado da empresa.


Uma empresa pode ser feliz, triste, pesada, leve, amigável, detestável. Como é a sua?


Como a sua “empresa-pessoa” irá passar as últimas horas desse ano? Feliz ou triste? Preocupada ou confiante? Grata ou ingrata? Confiante ou claudicante?


Caso eu tenha obtido sucesso nessas linhas e influenciado o leitor e a leitora corretamente, alguns insights já surgiram e essa “reflexão sobre a reflexão da empresa-pessoa” já pode ter iniciado.


Nesse momento apresento a minha proposta final: pense agora em como será a reflexão de sua “empresa-pessoa” sobre você.


Tenho certeza de que você já tem todos os subsídios para refletir sobre a sua relação com a empresa. Você pode ser colaborador, líder ou o dono e já sabe bem o que a empresa lhe proporcionou de coisas boas ou não, legais ou chatas, possibilidades e impossibilidades.


Mas e o contrário? O que a empresa pensaria sobre você?


Você foi bom com a empresa? Fez o seu melhor? Ela esperava mais, se decepcionou ou ficou surpresa com tudo o que você lhe proporcionou?


Você pisou na bola? Falhou com ela? Se fez isso, como corrigiu as coisas? Ou não corrigiu? Ainda dá para corrigir? Ou já era?


É fácil pensar que a empresa poderia ter feito mais por nós.... mas e nós por ela?


Veja, não estou aqui como um “coronel de indústria capitalista opressor” defendendo as empresas a todo custo e sobre tudo e todos. Nada disso. Apenas quero propor um contraponto nas reflexões de final de ano.



Acredito que toda reflexão exija um contraponto.


Se minha reflexão sobre a minha família considerar apenas o meu lado na história estarei sendo egoísta. O que eles me fizeram de bom ou ruim tem que ser contraposto ao que eu fiz a eles de bom e de ruim.


Isso vale para a relação com o trabalho e com a profissão. Usei a referência da empresa, mas se aplica à sua profissão se você não for um empregado.


O que você esperava da sua profissão ou trabalho em contraposição ao que a sua profissão ou trabalho esperava de você.

Você se capacitou como deveria? Leu os livros que poderia ter lido? Assistiu aos vídeos da TED no YouTube em busca de aprendizado ou preferiu o porta dos fundos para dar risada?


Nada contra se divertir, ver vídeos engraçados ou maratonar séries na Netflix. Tudo isso é válido. A questão é se esses momentos são equilibrados com aqueles em que poderíamos estar em busca de nosso desenvolvimento pessoal e profissional.


As vezes colocamos muitas expectativas em nossa profissão e em nosso emprego. Colocamos as responsabilidades de nosso sucesso nas mãos da empresa que nos contrata ou do mercado que deveria reconhecer nosso talento. E fazemos pouco para que essas expectativas se concretizem.


Nossa “empresa-pessoa” ou “profissão-pessoa” estariam felizes e satisfeitas conosco em seu balanço de final de ano?

Quero concluir falando de fé.



Seja qual for o seu Deus. Se você crê em um Deus agora me refiro à sua relação com Ele. Se você não crê em um Deus falo sobre a sua relação com o que você tem de mais íntimo dentro de si.


No que esse contato com o seu Deus ou com o que você tem de mais profundo poderia ser beneficiado por uma reflexão em contraposição como essa que propus aqui nesse texto?


O que o seu Deus pensaria sobre você em suas reflexões de final de ano? Ou o que o seu “eu mais profundo” pensaria sobre você?


Você foi bom com seu Deus? Você foi digno com seu Deus? Você agiu corretamente com seu Deus? Você fez a sua parte? Você honrou seus princípios e valores?


Esse é o meu desafio abstrato a vocês, leitor e leitora. Pensar sobre o que a sua empresa, o seu trabalho, a sua profissão, a sua família, os seus amigos, o seu Deus, irão refletir sobre você nesse final de ano.


Você consegue imaginar?


Temos um mês ainda, 1/12 avos do ano para melhorar o nosso saldo final.


Divirtam-se.




William Andreotti Jr.

Escritor, consultor, mentor e produtor de conteúdos sobre Administração, Negócios, Recursos Humanos e Carreiras. Defensor de uma visão humanizada para o mundo dos negócios e carreiras profissionais baseadas em princípios e valores.

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