• William Andreotti Jr.

Os dez pecados do péssimo líder



Há anos observo lideres em empresas e organizações e tenho total convicção de que nada é tão impactante nos resultados contínuos do trabalho quanto a liderança.


Participei de muitos programas de formação de líderes, acompanhei vários estudos e li muito a respeito. Tive ótimos e péssimos lideres e já comandei muitas equipes. É a partir dessa base de experiências que escrevo as minhas considerações sobre os atos e omissões da liderança, suas (prováveis) causas, consequências e resultados.


Não descrevo verdades absolutas, mas aspectos que considero necessários à reflexão e discussão. Vivo a minha profissão há mais de trinta anos e os problemas de liderança permanecem presentes, os novos modelos de negócio e tecnologias não foram suficientes para alterar a situação. O formato e a manifestação dos problemas pode se alterar, mas a sua essência permanece.


As reflexões presentes em meus últimos textos sobre o tema ressaltaram aspectos relevantes, alguns comentados por leitores, e decidi apresentá-los de forma estruturada.

Antes de qualquer discussão sobre terminologias “líder versus chefe”, esclareço que chamo “líder” a qualquer ocupante de um cargo de liderança, em empresas ou organizações de qualquer tipo.


Cito dez aspectos como poderia citar cinco ou quinze, é uma decisão arbitrária, mas os que apresento são os que considero principais. O leitor e a leitora certamente terão a sua própria visão a respeito e talvez não concordem com a lista, apresentando outros aspectos que não considerei. Caso aconteça terei despertado a reflexão que proponho.


Vamos a eles:



1. Não conhecer a fundo seus liderados


As pessoas não são iguais, o que é óbvio. Mas é exageradamente comum encontrar lideres que tratam todos os subordinados da mesma forma. Não me refiro a aspectos obrigatórios de relações humanas, como respeito e educação, mas da forma como conduzem as relações profissionais individuais com seus liderados.


Abordar o trabalho sempre da mesma forma, não aprofundar as questões quando necessário com pessoas que precisam de maiores detalhes, não orientar segundo a necessidade de cada profissional, não dar espaço àquele que precisa, não explicar de forma variada para que todos alcancem o mesmo entendimento.


O líder que não conhece a fundo seus colaboradores não saberá o que funciona para um e não para outro. Não saberá dar mais liberdade e autonomia ao que precisa e não saberá estabelecer a rotina e supervisioná-la ao que precisa de proximidade.


O “líder de uma nota só” usa sempre a mesma abordagem, que pode até funcionar para a maioria, mas não para todos.



2. Microgerenciamento


É o líder que acompanha cada detalhe do trabalho do seu subordinado, impondo a sua própria forma de agir a cada atividade. Não dá espaço à contribuição pessoal do funcionário e não delega responsabilidades. É um repassador de tarefas que monitora e avalia cada etapa do processo de trabalho.


Costuma pedir relatórios detalhados com frequência, muitas vezes desnecessariamente, como forma de manter o controle. Para este líder, controlar o subordinado e garantir que os processos sejam executados à sua maneira são aspectos mais importantes do que os próprios resultados alcançados.


É um líder que desconfia de todos e que normalmente pensa a motivação como “ter um chicote numa das mãos e um maço de dinheiro na outra” – como falarei ainda no item sobre motivação.



3. Não conhecer as nuances do negócio e os reais motivos do sucesso


O que faz uma empresa ter sucesso no longo prazo? Por mais importantes que sejam, não são os seus processos de trabalho ou as características de seus produtos. Tudo isso evolui com o tempo, muda com a tecnologia e se aprimora continuamente.


Do ponto de vista estrutural e organizacional nenhuma empresa hoje é a mesma de dez anos atrás. E existem muitas empresas de sucesso com décadas de existência.


O sucesso é construído a partir de um conjunto de princípios e valores que se substanciam nos produtos e serviços oferecidos, na forma como os clientes são atendidos, nas condições de trabalho e evolução dos colaboradores e na relação com fornecedores e parceiros.


O que fez a diferença e garantiu a sobrevivência e o sucesso pode não trazer garantias absolutas sobre o futuro, mas é a única base confiável para que o desenvolvimento sustentável da empresa continue.


Lideres que ignoram essa realidade tendem a valorizar aspectos equivocados e a menosprezar os motivos legítimos do sucesso continuado. Podem conduzir reformulações a pretexto de “inovação” que contrariem os efetivos pilares de sustentação do negócio.





4. Não compreender a cultura da empresa


A cultura organizacional define a forma como as coisas acontecem na empresa. Possui aspectos positivos e negativos, certos e errados, que influenciam todo o contexto do processo decisório na organização e a relação entre pessoas, funções e áreas.


São valores, crenças, práticas, comportamentos, políticas formais e informais que influenciam o comportamento e a mentalidade das pessoas.


O líder que não compreende a cultura onde está inserido certamente tomará decisões que serão prejudicadas pelo contexto cultural. Confrontar aspectos culturais sem considerá-los como tal é uma forma equivocada de buscar aperfeiçoar a realidade e ignorar a cultura pode ser um fator determinante de fracasso.



5. Visão centrada na área


Muitos lideres colocam os interesses de sua área acima dos interesses da empresa. Alguns sistemas de metas que não equilibram resultados de áreas com resultados globais podem favorecer esse desvio de comportamento. Mas sistemas equivocados não justificam comportamentos errados.


Existem lideres excessivamente competitivos (ou até mesmo narcisistas, que colocam os seus interesses egoístas acima de qualquer coisa), que entram em disputas com as demais áreas da empresa. Muitas vezes disputam a atenção do superior, competem pelo cargo acima ou mesmo por simples autoafirmação.


A competição interna e uma pseudovitória de uma área sobre a outra pode trazer prejuízos às relações internas e aos resultados globais. Os resultados da empresa e a evolução da equipe ficam em segundo plano para esse líder.


....

(fim da primeira parte)




Até aqui apresentei cinco dos principais erros de um péssimo líder. Não seguem necessariamente uma ordem de importância, pois o impacto de cada erro em cada empresa ou equipe pode ser variado, alguns mais graves em umas do que em outras. Também não significa que um péssimo líder apresentará todos esses aspectos – dá para ser péssimo com apenas um ou dois deles.


No texto da próxima semana apresentarei os cinco erros do péssimo líder que completam essa lista.


O leitor e a leitora concordam com esses aspectos? Já os vivenciaram em seu trabalho?






William Andreotti Jr.

Escritor, consultor, mentor e produtor de conteúdos sobre Administração, Negócios, Recursos Humanos e Carreiras. Defensor de uma visão humanizada para o mundo dos negócios e carreiras profissionais baseadas em princípios e valores.



Este texto foi desenvolvido a partir do apoio da Populis em seus esforços para desenvolver e disseminar conhecimentos relevantes da área de Recursos Humanos. A Populis é uma empresa que oferece soluções inteligentes para Folha de Pagamento.


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